Defesa de Vorcaro racha sobre depoimento secreto contra PF – 05/09/2026 – Mônica Bergamo
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro rachou em relação ao depoimento secreto que ele prestou no dia 27 de agosto em que acusou agentes da PF de maus tratos e tortura psicológica.
Advogados que fazem parte da equipe do dono do Banco Master procuraram ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para afirmar que não tinham nada a ver com o assunto e que consideravam a iniciativa “irresponsável e suicida”.
De acordo com o relato deles, a ideia de pedir que Vorcaro prestasse depoimento foi de apenas um advogado, Daniel Bialski, que se incorporou à defesa recentemente e tem bom trânsito no gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso.
O advogado, segundo os mesmos relatos, sequer teria comunicado a medida aos colegas.
Ele apresentou um pedido de depoimento diretamente ao gabinete do ministro Mendonça afirmando que o ex-banqueiro queria relatar “graves intimidações” que teria sofrido na prisão. O magistrado autorizou que ele fosse ouvido sem a presença da PF.
No meio do depoimento, prestado a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça na presença de um procurador, Vorcaro afirmou que a PF não aceitava suas propostas de delação premiada porque queria blindar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“Me sinto desconfortável de propor uma colaboração, em que a gente tem um diretor-geral da Polícia Federal com quem eu tinha uma relação. Que frequentou eventos, que participou de todo esse crescimento do banco […] Ele esteve presente em diversas outras situações que eu gostaria de narrar. Não tem a menor chance disso se viabilizar e dar certo”, disse o ex-banqueiro.
Apesar dos apelos de Vorcaro, as declarações acabaram vindo a público na semana passada, causando nova crise entre a cúpula da PF e o gabinete de André Mendonça.
Os advogados de Vorcaro contrários ao depoimento disseram acreditar que o ex-banqueiro foi induzido a citar Andrei Rodrigues, que é desafeto de André Mendonça, apenas para agradar o magistrado. E para abrir as portas para uma nova tentativa de delação sem a participação da PF.
Haveria a expectativa também de que André Mendonça pudesse transformar a prisão do pai dele, Henrique Vorcaro, em domiciliar —o que não aconteceu.
Segundo eles, o ex-banqueiro nunca fez relatos sobre o diretor-geral da PF em suas tratativas de delação.
Os defensores repetiram diversas vezes que a atitude foi isolada e sem a concordância dos outros advogados, que só foram avisados em cima da hora que o depoimento aconteceria.
A prova disso seria o fato de um dos advogados, Sergio Leonardo, estar presente a uma audiência marcada para a mesma hora com a PF, em que Vorcaro deveria estar presente e não apareceu. Ela foi remarcada e acabou acontecendo na sexta (28).
Disseram ainda aos magistrados que a divergência entre os advogados criou um mal estar profundo e pode ser insuperável.
Procurado, o advogado Daniel Bialski estava em um compromisso e ainda não se manifestou.
Os magistrados que ouviram os relatos se disseram surpresos, inclusive pelo fato de as denúncias de maus tratos a Vorcaro já serem de conhecimento do STF.
Na sessão da Segunda Turma do STF em que se analisou a manutenção da prisão do pai de Vorcaro, por exemplo, o ministro Gilmar Mendes, que defendia a libertação do réu, citou relatos de que o ex-banqueiro havia ficado em uma cela com a luz acesa por três dias como exemplo de tortura psicológica.
Os magistrados mantiveram a prisão de Henrique Vorcaro por 3 votos a um.
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