Escolaridade divide brasileiros sobre culpa por tarifaço – 27/07/2026 – Mônica Bergamo
A escolaridade divide a percepção dos brasileiros sobre quem é o responsável pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, segundo recorte exclusivo da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27).
Entre quem estudou até o ensino fundamental, 42% afirmam que as tarifas são resultado de articulações da oposição brasileira nos Estados Unidos, como sustenta o presidente Lula (PT). Outros 37% atribuem as sanções à fragilidade das relações diplomáticas do governo brasileiro, argumento defendido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
É também nesse grupo que há o maior índice de indecisos sobre o tema: 16% disseram não saber ou não responder.
O cenário muda entre os eleitores com ensino médio. Nesse segmento, 46% concordam com a explicação apresentada por Flávio Bolsonaro, enquanto 38% apoiam a narrativa de Lula.
Já entre os brasileiros com ensino superior, o presidente volta a aparecer à frente: 43% concordam com sua versão, ante 39% que endossam a do senador. Também é o grupo que mais rejeita ambas as explicações, com a resposta “nenhum” alcançando 9%, e “ambos” 3%.
No resultado geral, há empate. A tese defendida por Lula e a apresentada por Flávio Bolsonaro obtêm 41% de apoio cada.
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, a divisão acompanha um padrão observado em outras discussões de caráter econômico. “O presidente Lula obtém seus desempenhos mais favoráveis nos dois extremos do nível de instrução, enquanto Flávio Bolsonaro concentra maior apoio entre a população com ensino médio”, afirma.
Os dados foram divulgados no mesmo dia em a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 43%. No primeiro turno, o presidente registra 42% das intenções de voto, enquanto o senador tem 33%, em cenário testado pelo instituto.
O levantamento foi feito por telefone dos dias 24 a 26 de julho com eleitores de 16 anos ou mais residentes em território nacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o código BR-01489/2026.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS
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