Jovens trocam ambição de chefia por qualidade de vida
“Hoje, temos uma expectativa de vida muito mais alta. Isso faz com que já saibamos que teremos que trabalhar por mais tempo, seja qual for o motivo. E também percebemos que os jovens querem uma carreira mais equilibrada, e não necessariamente buscar um cargo de liderança. É uma tendência global”, afirma Nakata.
O cálculo que os jovens fazem
Para ela, os jovens hoje avaliam mais os prós e contras de assumir um cargo mais alto do que gerações anteriores. “Eles estão vendo o que é mais preferível, o que vai trazer maior satisfação, o que compensa mais. Vão pensar nas suas demandas, obrigações e, ao mesmo tempo, quanto recebem em troca disso”.
Um dos fatores desse cálculo é a remuneração. “Quando comparamos a remuneração da base com a da liderança, compensa menos ser líder porque são mais responsabilidades, mais riscos assumidos, mais recursos e orçamentos a gerenciar. Isso faz com que o jovem prefira ter mais equilíbrio na vida, priorizar qualidade de vida, flexibilidade, entre outras coisas mais difíceis de conciliar com a liderança”, afirma.
Esse foi um dos motivos que pesou sobre a decisão de Araújo. “Ao aceitar a proposta, eu precisaria ter que lidar com uma demanda mais imprevisível, com uma rotina presencial mais volumosa, com dinâmicas de trabalho com mais colaboradores e parceiros. E, pressuponho que por uma remuneração que não acho que valesse a pena, afinal, minha paz e uma rotina mais previsível têm muito mais peso para mim”, enfatiza ele.
A professora acrescenta que as prioridades em cada momento de carreira também pesam sobre a escolha, como buscar ou não novos desafios e propósito no trabalho, coisas “que às vezes o cargo de liderança não carrega junto”.





