Grande Barreira de Coral pode ter colapso com El Niño – 22/07/2026 – Ambiente
A chegada do El Niño vem acendendo alertas no mundo todo. Cientistas alertaram nesta terça-feira (21) que o calor excessivo trazido pelo fenômeno coloca a Grande Barreira de Coral da Austrália sob um risco muito alto de sofrer um branqueamento extremo e generalizado, que poderia levar a um colapso do ecossistema.
O ecólogo da Universidade James Cook de Queensland Morgan Pratchett, especializado em conservação marinha, afirmou que um El Niño “extremo” representa uma preocupação significativa.
“Não é impossível que a próxima perturbação [climática] importante provoque extinções localizadas de espécies”, declarou no Simpósio Internacional sobre Recifes de Coral realizado em Auckland, Nova Zelândia.
Considerada a maior estrutura viva do mundo, essa formação coralina se estende por 2.300 quilômetros ao longo da costa nordeste do estado australiano de Queensland e é uma de suas principais atrações turísticas.
Espera-se que o fenômeno El Niño deste ano seja um dos mais fortes já registrados. O fenômeno é caracterizado pela elevação das temperaturas superficiais no Pacífico equatorial central e oriental, o que provoca mudanças nos padrões mundiais de ventos, pressão e chuvas.
“É muito provável que vejamos um branqueamento em massa de grande escala e de grande gravidade na Grande Barreira de Coral”, afirmou Pratchett.
A Unesco vem monitorando o recife anualmente desde 2021, quando alertou que ele corria risco de ser incluído na lista de patrimônio mundiais “em perigo de extinção”.
Neste mês, o governo australiano manobrou para evitar que a região recebesse a classificação, apesar de as Nações Unidas terem expressado sua “máxima preocupação” com a recorrência de eventos de branqueamento em massa, provocado pelo aquecimento elevado do oceano, e o impacto das mudanças climáticas.
A cobertura de corais duros em todo o recife diminuiu substancialmente entre 2024 e 2025, após a ocorrência do último de branqueamento em massa no local —o sexto desde 2016. O branqueamento não é necessariamente fatal para os corais, mas os deixa doentes e, quando prolongado e repetido, pode levar à morte de colônias inteiras.
Ove Hoegh-Guldberg, professor de estudos marinhos da Universidade de Queensland, afirmou que a falta de ação governamental coloca em risco o futuro dos recifes de coral em todo o mundo. “Isso pode ser o prelúdio do desaparecimento da humanidade”, afirmou.
“Se você estivesse em um grande navio, como o Titanic, e alguém se aproximasse e dissesse que o navio está afundando, sem dúvida você subiria em um daqueles botes salva-vidas e começaria a agir e fazer alguma coisa, mas não estamos fazendo isso”, alertou. “O navio está começando a afundar de forma realmente massiva, e não estamos enxergando a realidade. É muito grave.”





