Zelenski muda chefia de segurança da Ucrânia – 17/07/2026 – Mundo
O presidente Volodimir Zelenski nomeou o ex-chefe da polícia e ministro do Interior da Ucrânia, Ihor Klimenko, para liderar o conselho de segurança nacional e defesa nesta sexta-feira (17), após a demissão de um popular e jovem ministro da Defesa provocar protestos no país pelo segundo dia consecutivo.
Zelenski disse que o ministro do Interior em fim de mandato ficará encarregado de coordenar “todos os componentes do setor de segurança e defesa”, incluindo a produção de armamentos.
Não ficou claro se o atual presidente do conselho, Rustem Umerov —também principal negociador da Ucrânia nas conversas de paz com a Rússia, mediadas pelos Estados Unidos— receberá um novo cargo.
Klimenko estava entre os nomes cotados como provável substituto do chefe da Defesa, Mikhailo Fedorov, um gênio da tecnologia de 35 anos que foi parcialmente creditado pelos recentes sucessos militares da Ucrânia na guerra com a Rússia —que agora chega ao seu quinto ano.
A destituição de Fedorov, que desencadeou raros protestos em tempos de guerra em Kiev e outras cidades ucranianas, ocorreu em meio a uma ruptura com o chefe militar da Ucrânia, Oleksandr Sirski.
O desentendimento veio a público na quinta-feira (16), depois que o ex-ministro da Defesa acusou o general de 60 anos de sabotar seu trabalho.
Mais tarde, no mesmo dia, Zelenski propôs uma autoridade de segurança que supervisiona os ataques de longo alcance da Ucrânia contra a Rússia, Ievhen Khmara, para suceder Fedorov como ministro da Defesa.
Enquanto isso, manifestantes se reuniram pelo segundo dia em frente ao escritório de Zelenski no centro de Kiev nesta sexta-feira, exigindo que ele reconduza Fedorov ao cargo, visto que tinha como principal objetivo modernizar o Ministério da Defesa.
As manifestações se assemelharam aos protestos populares do ano passado, no mesmo local, contra as tentativas de Zelenski de reduzir os poderes das agências anticorrupção ucranianas. Ele acabou recuando dessas medidas.
“Eu realmente acredito e espero que as autoridades, afinal, ouçam o povo, que atendam às demandas do povo”, disse Valeriia Balenko, 29, que protestava perto do escritório de Zelenski. “Porque é isso que o povo quer, pela vida dos nossos soldados e pelos civis que vivem sob ataques aéreos todos os dias.”
A nova crise política ucraniana acontece enquanto as forças ucranianas começam a retomar a iniciativa contra a Rússia no campo de batalha, por meio de ataques usando drones e mísseis às indústrias e logística de Moscou.
O país ainda enfrenta problemas profundos no recrutamento de tropas, bem como na obtenção de defesas aéreas suficientes para repelir ataques mortais de mísseis contra suas cidades, enquanto as forças russas avançam lentamente.
A surpreendente reformulação governamental de Zelenski, anunciada no domingo passado (12), abriu caminho para um novo governo, liderado pelo ex-executivo do setor de energia Sergi Koretski.
Aprovado pelo Parlamento na quinta-feira, ele enfrenta o principal desafio de se preparar para mais um inverno de ataques aéreos russos potencialmente devastadores à rede elétrica ucraniana.





