CNI diz que demanda por crédito foi para produção – 15/07/2026 – Painel
Levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela que a demanda de crédito no setor industrial, levando em conta os FCFs (Fundos Constitucionais de Financiamento), concentrou-se em investimentos produtivos entre 2022 e 2025.
FCFs são instrumentos federais para reduzir desigualdades regionais e impulsionar o desenvolvimento econômico. São destinadas parcelas de impostos arrecadados para oferecer linhas de crédito com taxas de juros mais baixas do que a de mercado.
Do total de empresas que solicitaram recursos, 56% planejavam a compra de máquinas e equipamentos. Outras 22% direcionavam o crédito para construção, manutenção, modernização ou instalação de plantas, fábricas ou armazéns. Eram 18% as que solicitaram recursos para capital de giro para o pagamento de despesas correntes.
Os números da CNI indicam destinação de recursos para ampliar a capacidade produtiva das empresas, o que contrasta com outro dado da Confederação. Em janeiro, na Sondagem Especial de Condições de Acesso ao Crédito, quase um terço das empresas que buscaram crédito para cobrir despesas correntes recorreu a linhas de longo prazo, com mais de cinco anos, normalmente destinadas à expansão da capacidade produtiva.
O crédito se torna ainda mais relevante no cenário de juros elevados. Projeções do boletim Focus indicam encerramento do ano entre 13% e 14%. O crédito ao setor privado no Brasil corresponde a 76% do PIB (Produto Interno Bruto), distante de economias como a dos Estados Unidos, próxima de 200%.
Analistas de instituições financeiras associam a manutenção de juros altos à contenção da inflação, que segue próxima ao teto da meta oficial. O cenário resulta em custo elevado de captação para empresas, com efeito mais acentuado sobre pequenos negócios dependentes de capital de giro financiado.
“O uso dos recursos para a compra de máquinas e equipamentos e melhoria da estrutura das empresas está alinhado com o objetivo dos Fundos Constitucionais de Financiamento. Esse crédito mais estruturante vai contribuir para a incorporação de novas tecnologias, o aumento da produtividade e, de forma geral, a competitividade das empresas”, afirma Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI.
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