Nove lições para entender como o digital mudou de vez as eleições no Brasil
5 – O quanto Congresso entrará nas pautas do digital

Nikolas Ferreira superou três milhões de votos e se tornou o deputado federal mais votado da história. Em segundo lugar ficou Lucas Pavanato (PL), youtuber e vereador paulistano, também eleito para a Câmara dos Deputados. Os dois construíram suas carreiras na lógica do engajamento, e não estão sozinhos na próxima legislatura.
Isso muda a natureza do debate regulatório. Regras sobre alcance, monetização, transparência algorítmica e responsabilidade das plataformas serão votadas por parlamentares cuja força eleitoral depende exatamente dessas variáveis. Quem vive do algoritmo terá, naturalmente, opiniões sobre o que pode ser feito com ele.
Os projetos apoiados pelo governo na área, como o de mercados digitais e o de IA, podem encontrar mais resistência. Ao mesmo tempo, fica a pergunta se essa nova bancada do digital teria apetite para entrar na definição do regime de responsabilidade de plataformas que saiu da decisão do STF de 2025. Ou mesmo se alguma linguagem da medida provisória editada no governo Bolsonaro – que dizia que as plataformas precisavam de “justa causa” para moderar – pode reaparecer nos debates legislativos.
6 – TSE regulou com eleições em andamento
O caso do Exército do Lula mostrou que as regras sobre o digital foram revisitadas durante as eleições. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal e, horas depois, o corregedor recolocou a página no ar. Veio nova suspensão, um registro do canal como meio oficial de campanha e, por fim, uma liminar impedindo que a presidência da Corte restringisse o canal pela via administrativa.





