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Superávit de R$ 4,8 bi mascara déficit e põe em risco meta fiscal de 2026


A dívida bruta do Brasil em setembro foi de 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto), mesmo nível de agosto. Esse é o maior índice de endividamento do país desde 2021, o equivalente a R$ 11,1 trilhões. A dívida bruta é a métrica que investidores usam para avaliar a saúde das contas públicas de um país.

Esse endividamento aumentou 11,2 pontos percentuais do PIB no terceiro mandato de Lula. O indicador estava em 71,7% em dezembro de 2022 e avançou 4,3 pontos percentuais só em 2026. O crescimento dessa conta foi provocado principalmente pelos gastos com juros.

Sem controle dos gastos, a dívida pode saltar dos atuais 82,9% para 86,5% do PIB já no ano que vem. Países ricos como o Japão administram dívidas gigantescas porque têm moedas fortes e juros baixos. O Brasil não tem esse luxo porque ostenta um dos maiores endividamentos entre países emergentes. “Em 2032 ele pode chegar a 100%, e 100% do PIB é considerado um número desconfortável para o mercado financeiro”, alerta o diretor da IFI.

Aumentar impostos será difícil porque a carga chegou a 32,4% do PIB em 2025, uma das maiores do mundo emergente. Para fechar um buraco de 3% do PIB em três ou quatro anos, a saída seria cortar parte dos R$ 600 bilhões por ano em benefícios fiscais a empresas e setores. “Tem de passar um pente fino para ver qual incentivo está cumprindo seu papel social e qual não está”, diz Pestana.

Ele também defende mexer nas regras de aposentadorias e nos gastos mínimos com saúde e educação. De cada R$ 2,6 trilhões que o governo arrecada de forma líquida, R$ 1 trilhão vai para benefícios previdenciários, uma conta que cresce com o envelhecimento da população. “Tem de rever essa indexação [ao reajuste do salário mínimo]”, diz.

O prêmio por um plano convincente seria juros em queda e retomada do crescimento econômico. Para isso, diz Pestana, Lula precisa apresentar até o fim do ano um ajuste fiscal “crível” para os próximos quatro anos e escolher um ministro da Fazenda de perfil técnico. O diretor da IFI elogia a gestão fiscal do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), um dos cotados para o cargo. “O governo dele tem números muito bons, com taxa de investimento relevante, finanças em ordem. Ele é do ramo e só ouço elogios”, acrescenta.



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