Wawrinka relembra duelos com lendas e não esperava carreira tão longa
Basileia (Suíça) – Em uma semana de muitas homenagens por sua despedida do tênis profissional, Stan Wawrinka refletiu sua vitoriosa carreira. O suíço disputou seu último torneio aos 41 anos, no ATP 500 da Basileia, e relembrou os bons momentos, que o levaram ao terceiro lugar do ranking e a três títulos de Grand Slam.
“Quando comecei, em 2003, não esperava estar aqui em 2026. Mas ao mesmo tempo, eu sonhava estar no mundo do tênis e guardarei ótimas lembranças”, disse Wawrinka. “Não é fácil saber que este é meu último torneio e estou muito feliz por fazer minha despedida do tênis e do esporte aqui na Suíça”.
Reconhecido pelo espírito de luta e por seu marcante backhand de uma mão, Wawrinka explodiu tarde no mais alto nível e conquistou seu primeiro Grand Slam perto de completar 29 anos, no Australian Open. E a frase do escritor Samuel Beckett, que tatuou no braço, simboliza muito o que foi sua carreira: Tentar, falhar. Não importa. Tente novo, falhe de novo. Falhe melhor.
“A cada semana você tem uma nova chance”, disse em entrevista à ATP. “Tudo era muito novo quando comecei no circuito e minha paixão pelo esporte me fez trabalhar mais duro. Mas leva tempo até que você possa encaixar todas as peças do quebra-cabeças e às vezes eu perdia a confiança em mim mesmo”.
“Temos a sorte de sermos tenistas, mas isso não significa que é fácil. Eu sonhava em ser profissional. Assistindo pela TV, eu imaginava estar nesses grandes torneios. É preciso ter muita disciplina para se manter no alto nível e continuar sonhando, apaixonado pelo esporte. E mesmo depois de 20 anos, acredito que sempre há uma chance”, avaliou o vencedor de 16 torneios da ATP.
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Depois de ter conquistado seus primeiros títulos entre 2006 e 2011, Wawrinka acredita que a temporada de 2013 representou uma mudança de mentalidade, especialmente após as batalhas de cinco sets contra Novak Djokovic no Australian Open e no US Open.
“Aquele ano foi uma virada de chave para mim, que foi quando eu passei a acreditar que poderia vencer os melhores jogadores, chegar a uma final de Grand Slam e, quem sabe, vencer um Grand Slam”, relembrou o suíço, que conquistaria seu primeiro Slam no ano seguinte, na Austrália, superando Rafael Nadal na decisão.
Os outros dois Slam foram vencidos contra Djokovic, então número 1 do mundo, nas finais de Roland Garros em 2015 e do US Open em 2016. Ao relembrar a terceira e última conquista, o suíço fez questão de enaltecer a parceria com o treinador Magnus Norman.
“Eu estava muito nervoso ao entrar para a final. Não foi a entrada mais tranquila de todas, mas tive uma ótima conversa com o Magnus, que me ajudou muito a superar aquele momento. Ele realmente me ajudou a focar no presente e a não pensar demais no resultado”, relembrou.
Ao pensar no legado deixado para as próximas gerações, Wawrinka relembra que tentou de tudo: “Não cabe a mim decidir. Existem diferentes visões a meu respeito como jogador ao longo dos últimos 20 anos. Para mim, tudo o que eu queria na minha carreira era dar o máximo, não ter arrependimentos, lutar sempre, entregar 100% em cada partida. Por respeito a mim mesmo, ao adversário, ao torneio, aos torcedores, a todos. Isso sempre foi o mais importante e essa é a única maneira de deixar o esporte: sem nenhum arrependimento”.
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