Tomate fica 24,5% mais caro em um mês e puxa a prévia da inflação de outubro · Economia Real
Ir à feira ficou mais caro em outubro. O preço do tomate subiu 24,54% em um mês e foi o item que mais pressionou a prévia da inflação oficial, o IPCA-15, que fechou o mês em 0,32%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (23), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice desacelerou em relação a setembro, quando marcou 0,70%. O alívio, porém, veio da conta de luz e das passagens aéreas, e não do carrinho de compras. Em outubro de 2025, a taxa tinha sido de 0,18%.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,47% para 4,62% e continua acima do teto da meta do governo.
O objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, o limite máximo é de 4,5%. No ano, o índice soma 4,15%.
O que ficou mais caro no mercado
A comida consumida em casa ficou 1,01% mais cara em outubro, quase o triplo da variação de setembro (0,38%). Além do tomate, pesaram no bolso a cebola (13,63%), a batata-inglesa (10,96%) e o arroz (5,80%).
A batata e seus parentes de feira já vêm de uma longa sequência de aumentos. O grupo de tubérculos, raízes e legumes acumula alta de 57,53% desde janeiro. Já as carnes ficaram 10,79% mais caras em 12 meses, e o leite e seus derivados subiram 11,37% no ano.
Há boas notícias no corredor das frutas e verduras. A cenoura recuou 10,67% no mês, as frutas tiveram queda de 1,37% e o café moído baixou 1,16%. Os ovos e a carne de frango acumulam redução de 3,77% em 2026, e os óleos, como o de soja, estão 5,03% mais baratos no ano.
Quem costuma comer fora também sentiu a diferença. Em outubro, a refeição em restaurantes subiu 0,61%, acima dos 0,38% de setembro. O lanche ficou 0,66% mais caro, contra 0,44% no mês anterior.
Combustível em alta, avião mais barato
Para quem tem carro, outubro trouxe aumentos. Os combustíveis subiram 1,20%, contra 0,22% em setembro. O óleo diesel liderou a lista, com alta de 3,70%, seguido pelo etanol (2,73%) e pela gasolina (0,92%). O gás natural veicular (GNV) foi exceção e caiu 0,18%.
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL-ARQUIVO
Abastecer o carro ficou mais caro nos últimos 30 dias
Do outro lado, viajar de avião ficou mais em conta. As passagens aéreas recuaram 9,24% e foram o item que mais ajudou a segurar o índice no mês. O transporte público como um todo teve queda de 2,10% em outubro, mas ainda acumula alta de 8,98% em 12 meses.
Conta de luz dá trégua
A energia elétrica, que tinha sido a vilã de setembro com alta de 7,42%, recuou 0,89% em outubro. A queda se deve à troca da bandeira tarifária amarela, que cobrava R$ 1,885 a mais a cada 100 kWh consumidos, pela verde, que não tem taxa extra.
Em Fortaleza, a conta caiu 4%, após a redução de 6,65% nas tarifas desde 26 de agosto. Em Belém, o caminho foi o oposto: a energia subiu 3,71% por causa de um reajuste de 6,63% em vigor desde 18 de setembro.
Ainda nas despesas da casa, o gás de botijão subiu 1,28%, e o aluguel teve alta de 0,28%. A taxa de água e esgoto caiu 0,89%, efeito de um desconto de 25% na tarifa mínima em Curitiba a partir de 1º de outubro.
Lazer e serviços
Ir ao cinema, ao teatro ou a shows ficou 4,30% mais caro. Os pacotes turísticos subiram 2,18%, e o salário dos empregados domésticos teve reajuste médio de 0,62%. O plano de saúde subiu 0,42% no mês. O cigarro, por sua vez, acumula aumento de 22,43% em 12 meses.
Entre as 11 regiões pesquisadas, Belém teve a maior alta (0,76%), puxada pelo tomate e pela conta de luz. Curitiba foi a única com queda (-0,27%), graças às passagens aéreas e à tarifa de água. Na Grande São Paulo, o índice ficou em 0,34%.
Para o economista Roberto Luis Troster, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a queda do mês não indica um alívio generalizado nos preços. Em entrevista à Agência Brasil, ele resumiu que “ganhou-se uma batalha contra a inflação, mas a guerra ainda não acabou”.
O que é o IPCA-15
O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, a inflação oficial do país. A metodologia é a mesma, mas a coleta de preços acontece em outro período. Desta vez, os preços foram levantados entre 16 de setembro e 14 de outubro e comparados com os de 15 de agosto a 15 de setembro.
A pesquisa considera famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além de Brasília e Goiânia. O IPCA cheio de outubro será divulgado em 12 de novembro.
Enquanto isso, no mercado financeiro…
O Boletim Focus mais recente do Banco Central, de 16 de outubro, mostra que analistas do mercado financeiro preveem inflação de 5,22% em 2026, acima do teto da meta.
Para outubro, a estimativa é de 0,32%, igual à prévia divulgada nesta sexta. Para novembro, a projeção é de 0,34%, e para dezembro, de 0,56%. Em 2027, a expectativa é de que a inflação recue para 4,32%.
Os juros devem continuar altos. A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano, e a previsão é de que termine 2026 em 13,25%. Para o fim de 2027, a aposta é de 12%.
A economia deve crescer menos. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,85% para 1,83% em 2026, e para 1,32% no ano que vem. O dólar deve fechar o ano cotado a R$ 5,13.





