IA analisa foto do rosto e estima risco de morte em pacientes com câncer
A diferença entre a idade facial estimada e a idade cronológica foi associada ao risco de morte. Entre pacientes com câncer tratados com radioterapia nos Estados Unidos, aqueles cuja idade facial estimada era pelo menos cinco anos superior à idade cronológica apresentaram risco de morte 21% maior em comparação com os demais participantes. Já aqueles cuja idade facial estimada era pelo menos cinco anos inferior à idade cronológica apresentaram risco 17% menor em comparação com os demais pacientes que não se enquadravam nesse grupo.
As duas ferramentas analisam regiões diferentes do rosto. A FAHR-FaceAge atribui maior importância às linhas entre o nariz e os cantos da boca, à região da testa acima dos olhos e às têmporas. Já a FAHR-FaceSurvival concentra parte relevante de suas análises na região abaixo dos olhos e ao redor da ponte do nariz. Segundo os pesquisadores, os dois sistemas captam informações complementares.
Há limitações antes de uma aplicação clínica ampla
Os resultados ainda não permitem prever o destino de um paciente individual. O estudo avalia a capacidade estatística dos modelos de identificar associações com a sobrevivência. Isso não significa que uma fotografia determine se alguém vai morrer ou sobreviver, nem que a ferramenta possa substituir exames, avaliação clínica ou o julgamento dos médicos.
A expectativa é que a tecnologia possa apoiar decisões médicas. No futuro, a análise facial poderá contribuir para avaliar a condição física de pacientes antes de tratamentos intensivos, como radioterapia, cirurgia e terapias sistêmicas. Raymond Mak, oncologista do Mass General Brigham e um dos autores do trabalho, afirmou ao The Guardian que o objetivo é apoiar decisões individualizadas, e não substituir a avaliação dos profissionais de saúde.
A ferramenta ainda precisa de validação clínica. Os autores apontam que os dados vieram principalmente de centros de países de alta renda e que fatores como qualidade da imagem, iluminação e expressão facial podem influenciar os resultados. Eles defendem novas pesquisas com populações mais diversas e estudos prospectivos para verificar se o uso da tecnologia melhora as decisões médicas e os resultados dos pacientes.





