Sistema do BC teve falha em dados das Americanas, diz Itaú
Em um e-mail de 14 de novembro de 2022 sobre os dados da varejista para o terceiro trimestre daquele ano, o executivo José Rudge, diretor do Itaú BBA, destaca alguns pontos de atenção, entre eles o risco sacado. Rudge foi alvo de busca e apreensão em junho deste ano, na segunda fase da operação Disclosure da Polícia Federal, que investiga a fraude da Americanas.
No e-mail, ele diz:
“Fornecedores vs.risco sacado: cia reporta R$ 5 bi de fornecedores e entendo que assumimos um % em risco sacado, mas com valor de R$ 3,8 que assumimos teríamos um share acima de 85% — o que não bate com check que fazemos com bancos. Tema muito relevante para entendermos.”
A mensagem indica uma preocupação do banco com a fatia de risco sacado da Americanas em posse do Itaú. Como a empresa reportava uma dívida com fornecedores de R$ 5 bilhões – menor do que a verdadeira -, o montante de risco sacado de R$ 3,8 bilhões com o Itaú levaria o banco a deter 85% de todo o risco sacado da companhia. Hoje se sabe que a dívida da Americanas com fornecedores em 2022 era muito maior.
Em outro e-mail no mesmo dia, Rudge reforça a preocupação com o tema. “O ponto 3 me preocupa e sugiro aprofundarmos com a cia. Em caso de não obtermos posição satisfatória, sugiro dobrar cautela e acelerar redução da linha com cautela”, escreveu.
Algumas semanas depois, em outro e-mail, um executivo traz a resposta da Americanas para o questionamento a respeito da fatia da operação em posse do Itaú.
“A Lasa [Lojas Americanas] voltou conosco, nosso share em risco sacado em set22 realmente é um pouco maior do que previsto, temos 75% de share no risco sacado (R$ 3,5 bi) e o volume de RS da empresa nesta data é R$ 4,7 bi.”





