Tudo o que nós temos é uns aos outros
As mentiras de Flavio Bolsonaro não são tratadas como mentiras. Sua ligação com a milícia é eclipsada. Sua participação em orgias é lida como atitude da ordem do privado. Sua relação íntima e comprovada com o pastor que quer acabar com Nossa Senhora de Aparecida é chamada de fake news. Os milhões que ele pediu a Vorcaro parecem não importar, assim como suas mais de 100 comunicações reveladas (até aqui) com o banqueiro-golpista.
O jogo eleitoral está comprometido, infectado. Flavio tem a seu lado absolutamente tudo. Tem o interesse do capital privado, tem a simpatia de intelectuais que o tratam como um candidato legítimo e escondem suas mazelas, tem a inteligência do exército mais poderoso do mundo, o estadunidense, e tem as decisões injustificáveis da presidência do TSE.
Do lado de cá, temos uns aos outros. Temos nosso entusiasmo, nossos sonhos democráticos, nossa consciência de que a ação coletiva pode explodir os limites do que achávamos ser capazes de fazer. Mesmo nas piores condições, mesmo contra inimigos aparentemente invencíveis, é a união em torno do sonho por liberdade aquilo que realiza o que parecia impossível.
Eles têm exércitos e demais poderes, incluindo o capital. Nós temos uns aos outros e a força do que vem dessa aliança. Nós temos a capacidade de delirar, de festejar, de ocupar o espaço das ruas, de dialogar com indecisos em nome de votos, de sonhar com um mundo mais justo e livre. Não existe no mundo força maior do que essa que vem da dinâmica da associação orgânica de pessoas. Sempre foi assim que o mundo mudou.
Não desistiremos. Faltam dez dias. Dez dias de luta, de rua, de ação. Essa é a batalha do século até aqui. Não há outra.





