Justiça barra reunião que tiraria voto do fundador
Aval dos sócios é uma das pendências. No dia 23 de setembro, o juiz Marcos Pereira Sanches mandou o grupo completar a documentação com os dados financeiros pendentes, sob pena de encerrar o processo. Já o Ministério Público recomendou que a autorização dos sócios de cada empresa seja analisada separadamente.
Perícia encontrou falhas em todas as empresas. Segundo a Laspro Consultores, nomeada pela Justiça, as 148 sociedades deixaram de cumprir, total ou parcialmente, ao menos uma exigência da lei. Os balanços entregues ainda são prévios, e Cinelli afirma que parte das obrigações do grupo, como cashback e antecipação de recebíveis, ficou fora da lista de credores.
Fundador já questionava a autorização do pedido. Cinelli diz que a assembleia de 7 de setembro aprovou apenas uma medida para proteger os bens da empresa, e não a recuperação judicial. Ele afirma também que o grupo desrespeitou as próprias regras internas.

Crise teve origens em aposta nas ações da CVC. A Apex comprou mais de 15% da operadora de turismo entre 2025 e 2026 com dinheiro de clientes, a quem prometeu ao menos 100% do CDI mesmo se as ações caíssem. Os papéis despencaram mais de 30% em 2026, e a gestora teve de cobrir a diferença com o próprio caixa.
Cinelli foi afastado em agosto. Os sócios afastaram ele e o ex-diretor financeiro Eduardo Siqueira depois que uma auditoria interna apontou “inconsistências financeiras”. A pedido da própria Apex, a Justiça bloqueou os bens do fundador e quebrou seu sigilo bancário, após identificar transferências de mais de R$ 23 milhões para contas pessoais dele. A defesa diz que ele colabora com as investigações e que não tomava decisões sozinho.





