Como mídia chinesa viu vantagem de Flávio sobre Lula no 1º turno - 07/10/2026 - Mundo - FlaNotícias
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Como mídia chinesa viu vantagem de Flávio sobre Lula no 1º turno – 07/10/2026 – Mundo


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A dianteira de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno chegou à China no meio do feriado do Dia Nacional (uma semana de comemoração pela fundação da República Popular) e estampou jornais importantes do país, movimentando a internet enquanto o governo tentou manter uma distância reservada do pleito.

A agência de notícias estatal Xinhua, por exemplo, deu os números (os 47% do senador contra os 45% de Lula), informou a data do segundo turno e não arriscou uma linha de interpretação.

Tom semelhante foi observado nas falas oficiais de Pequim, com o porta-voz da chancelaria, Guo Jiakun, se recusando a comentar sobre possível interferência americana, recitando o princípio chinês de não interferência e desejando que a eleição corresse bem.

Entre acadêmicos e internautas, porém, o discurso foi outro. O bordão que atravessou quase toda a análise chinesa tem quatro caracteres, “政冷经热” (algo como “política fria, economia quente”). A ideia é que com Flávio Bolsonaro no Planalto, Brasília esfriaria o diálogo com Pequim sem mexer no fluxo de comércio de soja e minério de ferro.

O conhecido professor Zhou Zhiwei da Academia Chinesa de Ciências Sociais escreveu dias antes da eleição que o filho de Jair Bolsonaro trocaria o discurso do Sul Global por uma aliança com Washington, mas que a relação com a China tinha lastro para suportar o baque.

O tom subiu de verdade nos portais Sohu e Tencent News, dois dos maiores agregadores de notícias do país e que abrigam milhões de contas de autopublicação.

  • “Se ele se atrever a mexer no comércio com a China, os primeiros a gritar serão os próprios apoiadores dele” (conta 议史迹V, no Sohu);
  • “Essa reviravolta é anormal e há forças externas por trás dela” (conta 柏拉图的诉说, no Sohu);
  • “A linguagem contra a China é ferramenta de campanha, e a dependência da China é a restrição de quem governa” (conta 环球局内人, no Tencent News);
  • “Os anos de dinheiro fácil, minério fácil e redes de dados fáceis talvez tenham acabado” (conta 忆风爱动漫, no Sohu).

Até os leitores da imprensa estatal entraram no tom. No The Paper, jornal de Xangai, um dos comentários mais curtidos era o que chamou o voto brasileiro de “espelho que revela monstros”.

Por que importa: Pequim tem razão ao achar que a soja está segura, porque os Estados Unidos não compram o volume produzido aqui. O ponto cego está nas terras raras e nos minerais críticos, setor em que o capital chinês no Brasil é recente e Washington oferece dinheiro concorrente.

A grande incógnita que seguirá uma potencial (e provável) vitória de Flávio é quem ele escolherá para o cargo de ministro das relações exteriores, já que o favorito Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem um histórico de celeumas com o governo chinês.

A mais grave foi na pandemia, o ex-deputado comparou a situação da Covid na China com o acobertamento soviético da tragédia de Chernobyl. O então embaixador Yang Wanming exigiu um pedido de desculpas público ao povo chinês. O então presidente Jair Bolsonaro teria tentado telefonar para Xi Jinping em busca de apartar a questão, mas foi ignorado pelo líder chinês.


pare para ver

“Vermelho, Branco, Preto, Cinza” de Huang Rui, um dos membros fundadores do grupo de arte chinês Estrelas da Arte que incluía os populares Ai Weiwei, Mao Lizi e Ma Desheng, o primeiro coletivo dedicado a protestar publicamente contra a censura governamental após a Revolução Cultural. Leia sobre ele aqui.


o que também importa

★ O FBI prendeu uma mulher acusada de espionar para a China a família do presidente de Taiwan, Lai Ching-te. Wanying Zhang foi detida no domingo (4) no aeroporto de Los Angeles enquanto tentava embarcar para a China. Segundo o procurador federal Bill Essayli, ela fotografou e filmou o filho de Lai e a família dele nos Estados Unidos e enviou placas de carros às autoridades chinesas. Zhang trabalhava como corretora de imóveis na Califórnia e vai responder por atuar como agente estrangeira para Pequim sem se registrar. O gabinete presidencial de Taiwan chamou o caso de “repressão transnacional” e criticou a China. A embaixada chinesa em Washington não comentou o caso.

★ O maior navio bate-estacas do mundo CRCC Bridge Piling No.1 deixou a China rumo à Bahia para sua primeira missão internacional. A embarcação de 160 metros vai cravar as estacas que sustentarão a ponte entre Salvador e a Ilha de Itaparica, projetada para ser a maior da América Latina. Segundo o estatal Global Times, a viagem deve durar cerca de 45 dias, com passagem pelas águas de Recife antes de seguir para o canteiro. A ponte vai ligar a região do terminal de São Joaquim, na capital, à Gameleira, em Vera Cruz. Acordada durante o governo Lula (PT) após anos de idas e vindas, a obra é tocada por um consórcio de estatais chinesas, entre as quais uma subsidiária da própria CRCC.

★ Merz e Macron pediram à Comissão Europeia instrumentos “contundentes” contra países que distorcem o mercado europeu. Na carta conjunta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o chanceler alemão e o presidente francês, líderes das duas maiores economias da UE, não citam a China, mas o alvo é claro. O texto aponta a entrada em massa de produtos fora das normas europeias e câmbio desalinhado e subvalorizado como fontes de vantagem desleal. Paris e Berlim dizem que as medidas atuais não bastam e querem mecanismos que permitam a exclusão imediata desses produtos do mercado interno “se necessário”. Bruxelas declarou ter recebido a carta “muito favoravelmente” e o tema volta à mesa do Conselho Europeu no dia 15.


fique de olho

A Huawei anunciou na segunda-feira (5) um acordo de licenciamento de patentes de vários anos com a americana Qualcomm. A novidade fica por conta do 5G, marcando a primeira vez que as duas empresas fecham uma parceria desse tipo em uma área na qual a chinesa detém uma das maiores carteiras de patentes do mundo.

Além da troca de licenças, a Qualcomm vai comprar parte das patentes que a Huawei registrou nos EUA ligadas a computação, inteligência artificial e redes. Segundo a empresa chinesa, quando o negócio for concluído, o valor total de seus acordos de licenciamento vai passar de US$ 6,9 bi (R$ 34,5 bi). Em agosto, a Huawei já havia fechado um acordo semelhante com a HP para patentes de wi-fi.

A relação entre as duas empresas mudou de sinal em duas décadas. Em 2001, a Huawei pagava à Qualcomm por uma licença americana. A empresa só começou a fazer dinheiro com patentes em 2011 com a Motorola e em 2021, o negócio se tornou uma de suas divisões mais lucrativas.

A virada coincide com as sanções impostas por Washington que desde 2019 impedem a Huawei de comprar chips avançados e softwares essenciais de fornecedores dos Estados Unidos. A empresa respondeu aumentando o investimento em pesquisa para desenvolver soluções próprias.

Por que importa: as restrições foram desenhadas para cortar o acesso da Huawei a componentes e programas desses fornecedores, mas não impedem que companhias americanas paguem para usar a tecnologia da empresa chinesa. O acordo com a Qualcomm mostra que em áreas como o 5G, o fluxo de royalties começou a correr no sentido contrário, da indústria ocidental para a China. Isso dá a Pequim uma moeda de troca nova na disputa tecnológica com Washington, já que um aperto no acesso a patentes chinesas poderia encarecer produtos de empresas americanas.


para ir a fundo

O Theatro Municipal de São Paulo receberá amanhã (7) o espetáculo “Duas Culturas, Uma Só Melodia”. O concerto vai reunir um grupo de música tradicional chinesa e a big band da Escola Municipal de Música de São Paulo, tocando sucessos do Brasil e da China. Os ingressos são gratuitos e podem ser reservados neste site.

O Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos exibe também na quarta (7) a terceira leva de curtas do projeto “Looking China”. Com o tema “Relatos da Juventude Chinesa”, a mostra exibirá 4 trabalhos dos diretores brasileiros Pedro Nishi, Larissa Louro e Audrey Marinho com coprodução chinesa e gravados em Pequim e Xinjiang. A entrada é gratuita e os interessados podem saber mais sobre aqui.



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