SP-Arte: Galerias pressionam feira a baixar preços – 05/10/2026 – Plástico
Os donos de mais de 70 galerias de arte, entre elas algumas das maiores do país, assinam uma carta em que pedem à feira SP-Arte, um dos principais eventos do mercado de arte do continente e líder nacional, que baixe em 25% os preços de seus estandes na edição do ano que vem.
O apelo, que tem a adesão de gigantes do cenário, como as galerias Fortes D’Aloia & Gabriel, Luisa Strina, Mendes Wood DM e Nara Roesler, traz dados que mostram que os preços praticados pela feira têm sido reajustados acima da inflação ao longo dos últimos quatro anos, subindo 32% ante a inflação acumulada de 19% nesse período.
“Quando esse custo cresce, reduzem a área contratada ou deixam de participar”, diz o documento endereçado à empresária Fernanda Feitosa, fundadora e diretora da SP-Arte. “Isso empobrece a feira. Aliviar essa carga é, portanto, também do interesse da SP-Arte, que depende da presença, da diversidade e da capacidade de investimento das galerias para manter sua relevância.”
Essas queixas refletem uma crise que atravessa o cenário global. Depois da pandemia, que provocou um naufrágio no mercado de arte, vendas só voltaram a crescer, ainda em patamares baixos, no ano passado, com alta concentração das transações em obras de valor mais alto e uma recuperação ainda muito lenta para galerias menores —nas contas dos próprios galeristas, o custo operacional das casas vêm crescendo em média 5% ao ano.
Isso explica a quebradeira de casas mundo fora. Em Londres, espaços como a Clearing e a Stephen Friedman fecharam as portas. Em Los Angeles, a Blum, outro gigante da cena americana, também encerrou suas atividades, enquanto firmas de peso, como a Gagosian e a Pace, duas das maiores do mundo, estão fechando alguns de seus pontos de venda. Em São Paulo, a Martins&Montero acaba de anunciar a separação de suas sócias, que ainda devem desenhar o futuro de suas casas.
Os galeristas lembram, ainda no documento enviado à SP-Arte, que outras grandes feiras pelo mundo já entenderam os desafios do circuito e vêm se esforçando para evitar uma debandada de galerias. A Art Basel, maior grupo de feiras de arte do planeta, com edições em Hong Kong, Basileia, Paris e Miami Beach, nos Estados Unidos, já ofereceu descontos a galerias menores, e a Art Dubai chegou a propor um novo modelo, em que participantes pagam uma porcentagem de suas vendas em vez de financiar cada metro quadrado de seus espaços.
De acordo com as galerias, a SP-Arte é uma das feiras mais caras do mundo, o que pode comprometer boa parte da operação caso as vendas não saiam a contento. O evento paulistano pede aos galeristas R$ 2.650 por metro quadrado de seus estandes, um valor próximo, descontadas as proporções, ao das feiras mais importantes do mundo —na edição suíça da Art Basel, considerada a principal vitrine global, o metro quadrado custa em média R$ 6.000 em sua ala mais prestigiada.
Procurada, Fernanda Feitosa disse em nota que “a SP-Arte mantém uma relação próxima e de diálogo permanente com as galerias”. “Como parte desse relacionamento, a organização se reunirá em breve com os expositores para preparar a edição de 2027.”
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