Greve na Caixa trava mercado de financiamento imobiliário no Brasil
Caixa detém quase 70% dos financiamentos imobiliários no Brasil. A participação do banco no mercado habitacional cresceu 15% no segundo trimestre, e a carteira de crédito superou, pela primeira vez, a marca de R$ 1 trilhão. Segundo Viana, o prazo médio das concessões costuma variar de 15 a 30 dias a partir da entrada no processo, a depender do perfil do tomador.
Média indica que a greve travou a assinatura de quase 50 mil contratos. A liderança da Caixa no segmento considera o volume de 511 mil financiamentos imobiliários no primeiro semestre. O total equivale a uma média de 4.089 formalizações nos 125 dias úteis. Com a manutenção do ritmo, os 13 dias úteis sem atividades teriam deixado 49.066 financiamentos pendentes.
O mercado imobiliário vive muito em torno do financiamento pela Caixa Econômica Federal. Qualquer problema lá vira um desastre. No rito normal, já temos muitos problemas, e a paralisação torna tudo mais difícil. José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP
Greve afeta liberações dos recursos e atrasa o acesso aos imóveis. Viana relata problemas com a concessão dos créditos e a interrupção dos processos em andamento. “É uma paralisação total”, afirma ele, que acrescenta ter entrado em contato com associados de outros estados sobre a situação. “Eu fiz uma varredura e todos estão na mesma situação, enfrentando dificuldades.”
Dissídio dos empregados da Caixa será julgado amanhã. Após o banco acionar a Justiça para tentar encerrar a paralisação, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) marcou o julgamento da ação para amanhã, terça-feira (29) e determinou a manutenção de 60% dos bancários em atividade. Caso a decisão seja descumprida, foi estabelecida uma multa de US$ 100 mil por dia à entidade sindical.
Bancos privados não ganham espaço com problemas na Caixa, de acordo com Viana Neto. A greve por tempo indeterminado não abre espaço para os concorrentes no financiamento imobiliário, já que o banco oferece as menores taxas de juros praticadas pelo mercado. “É muito difícil migrar, porque o mercado está ajustado à existência, os critérios, prazos e serviços da Caixa.”





