Bets: quem teve autorização para atuar no Brasil - 27/09/2026 - Negócios - FlaNotícias

Bets: quem teve autorização para atuar no Brasil – 27/09/2026 – Negócios



Brasília e São Paulo


A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de jogar na ilegalidade as apostas online atingiu em cheio 85 empresas que operam 185 plataformas, com acionistas formados por conglomerados estrangeiros de aposta com ações em Bolsa e empresas nascidas no Brasil.

Tornadas ilegais por meio de medida provisória publicada no dia 25 de setembro, as bets, termo em inglês para apostas e nome pelo qual a prática ficou conhecida, se espalharam pela economia formal no último ano e meio –as primeiras autorizações foram publicadas em 30 de dezembro de 2024.

Homem de terno e gravata caminha em frente a um grande painel com a bandeira do Brasil estilizada e o texto 'Medida Provisória Brasil Sem Bets e Desenrola 3.0'. O painel também exibe os nomes 'Ministério da Fazenda' e 'Presidência da República'.

O presidente Lula durante o evento em que assinou a medida provisória que tornou ilegais as bets

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Bruno Santos-25.set.26/Folhapress

As bets nomearam campeonatos esportivos e estamparam suas marcas em camisetas de clubes e seleções, no entorno de gramados de futebol e em boa parte dos grandes eventos nacionais, como carnaval, festas juninas e festivais de música.

Como mostrou a Folha a partir de dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação, as bets autorizadas receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos de jogadores em 2025. Elas ficaram com R$ 36,9 bilhões desse montante, valor que os apostadores perderam e, por isso, se converteu em receita das empresas.

Como a MP precisa ser convertida em lei em até quatro meses, a ilegalidade das bets precisa ser confirmada pelo Congresso Nacional.

A Folha procurou todas as empresas citadas nesta reportagem por e-mail e telefone. Betano, Bet365, Superbet, Sportingbet, Esportes da Sorte, Pixbet, KTO, Vaidebet, Estrela Bet e Novibet não responderam até a publicação da reportagem.

Cartaz anunciando a remoção de publicidade de casa de apostas no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro

Rio de de Janeiro está entre as capitais que proibiram a publicidade de bets

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AFP via Getty Images

As principais bets no Brasil

Betano

  • Participação de mercado: 23%
  • Principais patrocínios: Copa do Brasil, Brasileirão, Flamengo, reality A Fazenda

A Kaizen Gaming Group, dona da Betano e com sede em Malta, é autora do requerimento número 1 de operação feito à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda em 2024.

Mundialmente, a empresa tem forte presença em eventos esportivos. No Brasil, renomeou a Copa do Brasil, chamada neste ano de Copa Betano do Brasil. Ainda patrocina a seleção argentina e as equipes de Benfica, Porto, Sporting, Tottenham, Aston Villa, River Plate e Bayern Munich.

Bet365

  • Participação de mercado: 18%
  • Principais patrocínios: Nubank Parque

Presidente-executiva da Bet365, a britânica Denise Coates controla a casa que opera em diversos países. Foi considerada em 2025 a mulher mais rica do Reino Unido, com fortuna estimada em US$ 7,9 bilhões (cerca de R$ 44,15 bi). Ela comprou a Bet365 do eBay em 2000.

No Brasil, a bet está sob investigação, junto de Betnacional, Esportes da Sorte e KTO por propagandas veiculadas durante as transmissões da CazéTV na Copa do Mundo.

Superbet

  • Participação de mercado: 8%
  • Principais patrocínios: São Paulo, Fluminense, America, Kings League, Liesa, Rock in Rio, federações de futebol de Mato Grosso, Ceará, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro

Foi a primeira empresa a receber autorização para atuar legalmente no Brasil. Sua controladora, com sede em Luxemburgo, é a SB Lux Brazil. Tem influencers como JonVlogs entre seus garotos-propaganda e já teve ações com o carnavalesco Milton Cunha para o Carnaval.

Neste ano, assinou os naming rights da Supercopa, que ganhou o nome de Supercopa Rei Superbet do Brasil 2026.

Sportingbet

  • Participação de mercado: 6%
  • Principais patrocínios: Palmeiras, Vasco, Libertadores e NBA

Integrante da Entain, empresa britânica de capital aberto, a Sporting Bet é representada pela Ventmear no Brasil. Acordos de patrocínio com clubes brasileiros rendem cerca de R$ 140 milhões fixos às agremiações.

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Betnacional

  • Participação de mercado: 4%
  • Principais patrocínios: Cruzeiro, Sport Recife e Athletic Club, um time mineiro da segunda divisão. Tem Tino Marcos e Galvão Bueno entre seus garotos-propaganda

Faz parte da Flutter, empresa de capital aberto listada na New York Stock Exchange. No Reino Unido, é dona da Betfair, e da líder americana Fanduel. Na Índia, era dona da Junglee Games —o país proibiu apostas em agosto de 2025.

A Flutter Brazil afirmou à Folha que recebeu a medida provisória com surpresa. “A demanda por apostas não deixa de existir com a retirada dos operadores autorizados. Uma proibição tende a deslocar consumidores para plataformas ilegais, onde não estão assegurados mecanismos como identificação de usuários, limites de depósito, monitoramento de transações, autoexclusão e prevenção à lavagem de dinheiro”, disse, em nota.

Esportes da Sorte

  • Participação de mercado: 4%
  • Principais patrocínios: Corinthians, Ceará e Náutico

Empresa brasileira fundada em Recife por Darwin Henrique da Silva Filho, cujo pai, segundo apuração da Polícia Civil de Pernambuco, seria dono de banca de jogo do bicho na cidade.

Darwin Filho foi preso durante investigações sobre a relação entre a Banca da Sorte e a plataforma online. As invetsigações foram encerradas sem condenações. A Esportes da Sorte afirma ter atuado de acordo com a regulação vigente até sexta (25). À época, Darwin Filho disse que estava surpreso com a ausência de motivos para a prisão.

Blaze

  • Participação de mercado: 4%
  • Principais patrocínios: Neymar Jr é garoto-propaganda; foi patrocinador do Santos FC e hoje é do Atlético Goianiense

Marca fundada pelo holandês Nick van Gorsel e pelo americano Nicholas Beugg. As operações ficam em Malta. Tem no Brasil seu principal mercado, onde já teve em seu quadro de divulgadores a influenciadora Virgínia Fonseca.

A influenciadora chegou a depor na CPI das Bets do Senado e depois anunciou que romperia o contrato com a Blaze e não divulgaria apostas mais.

A Foggo Entertainment, que possui os direitos da Blaze no Brasil, afirmou estar alinhada a associações do setor que defendem segurança jurídica e transparência. “A consolidação de regras claras de fiscalização é o único caminho para o desenvolvimento sustentável da indústria, a preservação de empregos e o combate ao mercado ilegal.”

Pixbet

  • Participação de mercado: 3%
  • Principais patrocínios: Serra Branca Esporte Clube

A casa de apostas chegou a patrocinar o Corinthians, contrato que durou poucos meses, e também o Flamengo. Em agosto deste ano, a Pixbet teve sua licença suspensa por falta de mecanismos de monitoramento de jogadores compulsivos e pela não entrega de documentos ao Ministério da Fazenda.

A companhia, pertencente aos primos Ernildo Junior e Diomar Tadeu Dantas de Farias, é responsável pelas marcas Pixbet, Ganhei.bet e Bet da Sorte. Farias foi alvo da Polícia Federal há alguns dias em uma investigação que apura evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Outras empresas

O restante do mercado, segundo o ranking da H2 Gambling Capital, está pulverizado entre empresas que têm 1% ou 2% do mercado no Brasil. É o caso de Vaidebet, que patrocina o Remo e chegou a patrocinar o Corinthians, mas o acordo foi rompido com poucos meses de duração. Ela tem 2% do mercado,

A KTO foi uma das patrocinadoras da CazéTV durante a transmissão oficial da Copa do Mundo da Fifa 2026. A casa de apostas também patrocinou o festival Planeta Atlântida neste ano e assinou as camisas do Chapecoense. Atualmente, o clube é apoiado por outra bet, a Zeroum.

A Novibet patrocina atualmente o Santos, e a Estrela Bet, hoje com o Fluminense, já patrocinou Internacional, Criciúma e Ponte Preta, e transmissões da CazéTV.

As demais que tiveram autorização para funcionar têm, juntas, o restante da participação do mercado. Entre elas está a Boa Lion, uma joint venture da rede Globo com o grupo MGM, que opera no Brasil a BetMGM.

Em junho deste ano, a Boa Lion comprou do apresentador Luciano Huck a empresa de videobingos Bingão do Brasil. A negociação passou pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e foi aprovada em poucos dias.



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