Organização Teto constrói casas para população vulnerável – 25/09/2026 – Andanças na metrópole
Há aquelas pessoas muito pobres, mas também existem os hipervulneráveis, que vivem na mais absoluta miséria e estão numa condição de marginalidade dentro das próprias favelas. É essa população que a Teto atende. A organização, criada no Chile em 1997 e atuante no Brasil desde 2006, constrói palafitas de 15 m² a 18 m² com painéis pré-moldados de madeira para garantir o mínimo de dignidade para seus moradores.
No último fim de semana, a Teto fez sua maior entrega de moradias emergenciais desde o início da pandemia, em 2020. Foram construídas 25 casas para famílias das aldeias Tekoa Ytu e Tekoa Pyau, na Terra Indígena Jaraguá, localidade ocupada pelo povo guarani e especialmente pauperizada. Mais de 300 voluntários trabalharam unidos com a comunidade para realizar a empreitada.
“Atuamos para superar situações de pobreza e emergência habitacional que milhões de pessoas vivem”, afirma Thayná Shervis, especialista em relações institucionais e incidência da Teto. Ela trabalhou durante oito anos como voluntária na organização. “A gente faz isso unindo voluntariado jovem e moradores e moradoras dessas favelas supervulneráveis no país para construir projetos de moradia e infraestrutura de forma coletiva.”
As famílias que a Teto atende não pertencem àquelas favelas mais consolidadas, que já contam com uma associação de moradores forte e casas feitas de alvenaria, ainda que sem acabamento. Os territórios onde a organização atua têm casas com chão de terra batida e nenhum isolamento térmico. Os moradores estão sempre expostos a muito frio ou calor extremo. São barracos que não proporcionam a mínima dignidade para se viver.
O trabalho da Teto gera o que ela chama de “encontros improváveis”, que não aconteceriam no cotidiano. Pessoas voluntárias, principalmente jovens de classe média, convivem com a população das favelas no espaço de construção, trabalhando em regime de mutirão para transformar uma realidade. Nesse processo, há muita reflexão e troca de conhecimento.
“Nosso grande sonho é que ninguém tenha que viver mais num chão de terra batida e as nossas soluções de moradia emergencial apareçam para trazer algum conforto para essas famílias desprotegidas”, afirma. “Fizemos uma avaliação de impacto com a FGV que mostrou que nossa tecnologia social gera um efeito positivo direto no bem-estar subjetivo dos moradores, reduzindo o estresse diário, a solidão e as tensões provocadas pela insalubridade e pela insegurança.”
Para erguer as moradias trabalham dez voluntários por terreno, além dos moradores. O processo todo dura 48 horas, incluindo a pintura. Nos telhados usa-se material reciclado. Essas são casas construídas para durarem dez anos e sempre em sistema de palafita para proteger os habitantes de insetos, animais peçonhentos, enchentes e outros efeitos climáticos cada vez mais frequentes.
Há dois tipos de construção, ambos com um único cômodo. Há as moradias de emergência, como as que foram construídas na Terra Indígena Jaraguá, e as resilientes, que contam com módulo de banheiro acoplado, proteção térmica e ventilação cruzada. A instalação do banheiro, porém, está associada à quantidade de recursos que a organização consegue captar para seus projetos. Ela se sustenta com doações de pessoas físicas e de empresas.
No ano passado, a Teto construiu 51 moradias no Jardim Lapena, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo —todas com módulo de banheiro. Tratou-se de uma iniciativa conjunta com a Fundação Tide Setubal. Desde 2006, a organização já impactou a vida de 5.300 famílias e mobilizou 100 mil voluntários no Brasil, em seis estados mais o Distrito Federal. Nos 18 países em que atua na América Latina, 150 mil casas já foram construídas.
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