No Brasileiro, CBF faz ‘x’ para obter ‘y’, mas falta o ‘z’ – 24/09/2026 – O Mundo É uma Bola
Nesta semana, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu fazer uma modificação na composição dos jogadores no Campeonato Brasileiro. Os clubes, que atualmente podem relacionar até nove atletas estrangeiros para uma partida, passarão, ano a ano, a reduzir essa quantidade. Em 2030, o máximo permitido serão cinco.
A medida lembra a reserva de mercado que governos, quando consideram necessário, implementam em setores da economia: ao limitar concorrentes estrangeiros, a indústria local fica protegida/fortalecida. No caso, o “governo” é a CBF e a “indústria”, o futebol.
Os times não ficam impedidos de contratar forasteiros. No entanto, a lógica indica que o número deles diminuirá. Afinal, para que trazer um monte se parte fica proibida de ir a campo? Tem que ter muito dinheiro sobrando para isso, e os clubes estão afundados em dívidas.
Algumas equipes contam com uma vasta gama de gringos. No elenco do Flamengo, líder do Brasileiro, são 10 de 27, mais de um terço. Oito jogaram no Maracanã contra o Bragantino, no domingo passado, e seis foram titulares.
Vasco e Botafogo têm ainda mais estrangeiros (12 o primeiro, 11 o segundo) que o arquirrival, diluídos em grupos mais inchados, de 37 e 33 atletas, respectivamente.
Na Europa, cada país tem regras distintas a respeito do limite de estrangeiros. Na vizinha Argentina, vigora a norma de no máximo cinco estrangeiros relacionados por jogo (meta da CBF para 2030) e há o teto de seis não argentinos permitidos, no total, por equipe.
É um jeito de fomentar o futebol local: menos gente de fora, mais gente de dentro. Protecionismo puro.
Enfatizo um ponto relevante. Com essa medida “x”, a CBF diz almejar o resultado “y”: que mais brasileiros jovens (sub-23) ganhem oportunidades, estabelecendo-se constante renovação.
Até porque a seleção brasileira tem intenção de contar com mais juventude de qualidade. Para que isso aconteça, mais jovens precisam jogar regularmente, em todas as posições. E os mais velhos? Já tiveram chance, conclui-se, de mostrar a que vieram, a maioria sem atingir o nível desejado.
Existe, entretanto, um porém. Para que a limitação a forasteiros tenha o efeito esperado, e não se verifique a ampliação nas equipes apenas de brasileiros com mais idade, a CBF precisaria estabelecer uma porcentagem fixa de atletas sub-23 para cada clube. Que impusesse de imediato a proporção 1/1. Para cada inscrito com 23 anos ou mais, um inscrito com 23 anos ou menos. Esse é o “z” da questão.
Não foi feito. E, não sendo feito, é improvável que o número de jovens suba rapidamente nos times, já que a praxe são elencos mais experimentados com o acréscimo de alguns poucos “garotos”. Em certos casos, uma miséria deles. O Mirassol, único no Brasileiro sem gringos, tem 33 jogadores no profissional. Só três são sub-23, e nenhum é titular.
É preciso tempo para verificar na prática a mudança, que contou com apoio maciço dos clubes. Mudança que, sob determinado olhar, é polêmica.
Independentemente da nacionalidade, independentemente da idade, cada time deveria tentar ter à disposição o melhor pé de obra, sem restrições. Haverá quem aponte a reserva de mercado como xenofobia e a predileção por jovens como etarismo. Não sem razão.
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