Juros dos títulos dos EUA atingem maior nível desde 2007 – 23/09/2026 – Economia
Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro dos Estados Unidos, dispararam nesta quarta-feira (23) e atingiram o nível mais alto desde 2007. As altas também foram as maiores desde o anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump em abril de 2025, que provocou forte volatilidade nos mercados.
Na máxima do dia, o rendimento do Treasury de 10 anos, referência para as expectativas sobre a trajetória dos juros americanos no longo prazo, avançou a 5,13%, maior nível desde junho de 2007. As rentabilidades dos Treasury de 2 anos foram a 4,94%, patamar mais elevado desde maio de 2024, e dos de 30 anos foram a 5,41%, patamar mais elevado desde junho de 2007.
O movimento ocorre em meio à alta do petróleo e à perspectiva de avanços tímidos nas negociações no Oriente Médio. Além disso, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha o nível de atividade econômica nos setores de indústria e serviço, avançou a 58,4 em setembro, ante expectativa de queda para 55,3, segundo analistas consultados pela Bloomberg.
“As empresas dos EUA continuam em plena expansão”, disse Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.
O movimento amplia a forte alta dos rendimentos desde o início da guerra com o Irã. As pressões inflacionárias, os temores em relação ao déficit e a economia robusta levaram os investidores a exigir um prêmio maior para comprar títulos da dívida pública americana.
A alta dos rendimentos também significa que os preços dos títulos estão caindo. Isso ocorre porque preço e rendimento caminham em direções opostas: quando os investidores exigem uma remuneração maior para comprar os papéis, os preços recuam; quando a demanda aumenta e os preços sobem, os rendimentos caem.
Além dos Treasuries, as Bolsas S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuavam 0,64%, 0,65% e 1,06%, respectivamente, por volta das 16h.
“Havia expectativa de desaceleração tanto na indústria quanto nos serviços, após números já fortes nos meses anteriores. No entanto, o resultado mostrou justamente o contrário: a atividade não apenas continuou em expansão, como acelerou em relação às leituras recentes […] Uma atividade mais resiliente aumenta a preocupação com pressões inflacionárias e, consequentemente, reduz o espaço para uma queda mais rápida dos juros”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
A pressão sobre os mercados também tem origem no Oriente Médio. A perspectiva de estagnação nas negociações aumenta a aversão global ao risco.
Os sinais, porém, são mistos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner conversaram por meio de mediadores na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Foi o primeiro contato entre autoridades dos dois países desde o fracasso de um acordo provisório de cessar-fogo em julho.
Também há a possibilidade de um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. Em discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quarta, contudo, Pezeshkian acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de ter uma “mentalidade de intimidação” e afirmou que o Irã não se renderá na guerra.
Enquanto isso, o tráfego pelo estreito de Hormuz segue paralisado. Na segunda-feira, os EUA anunciaram que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas nesta quarta. Teerã prometeu retaliar caso países vizinhos cooperem com os Estados Unidos e suspendam os voos iranianos.
A alta do petróleo eleva as perspectivas para a inflação e aumenta a cautela dos investidores diante do temor de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a pressionar ativos de risco.
Segundo a ferramenta FedWatch, a combinação desses fatores aumentou as expectativas de alta dos juros pelo banco central americano em outubro. Na terça-feira, a probabilidade de elevação da taxa para a faixa entre 4% e 4,25% estava em 55%. Nesta quarta-feira, subiu para 71%.





