A reconstrução do São Paulo
Publiquei neste espaço, em 20 de fevereiro de 2019, um texto com o seguinte título: “O fim da história do São Paulo Futebol Clube”. Afirmava-se, ali, que não, o time não deixaria de existir, mas ingressara em nova fase, de apequenamento, que não seria, portanto, soberana. Tratava-se do fim do poderio que o caracterizou entre as décadas de 1980 e 2000.
Dizia-se, ademais, que o clube havia sido, com efeito, o maior durante a prevalência (ou monopólio) do clubismo, mas que este modelo fora substituído na Europa – e futuramente o seria no Brasil – por outro, caracterizado pela organização empresarial, para a qual o São Paulo não estava preparado; pior, a rejeitava.
Também se dizia que, enquanto o São Paulo autoadmirava a sua suposta soberania, outros times se preparavam para a revolução futebolística-empresarial e o superariam, com folga.
E ainda se acrescentava que a politicalha, tão presente em outros clubes durante o auge do São Paulo, e que a sua institucionalidade soubera conter, passou a dominar o ambiente são-paulino com diversos partidos políticos, reformas estatutárias promovidas no interesse de incumbentes – e consolidadas com apoios grupais -, escândalos envolvendo mal uso do cargo, renúncias e outros eventos maléficos que se avolumaram com o tempo.
Importante, muito importante: naquele texto se apontava que, em 2017, promoveu-se uma reforma estatutária do clube, que foi anunciada pelos dirigentes como a retomada do caminho da vanguarda, mas que foi implodida pelos seus próprios dirigentes e conselheiros, que (i) usaram o novel conselho de administração – que devia ser composto de membros realmente independentes e reconhecidos por suas carreiras empresariais e financeiras, e cumprir função de passagem para o ambiente de mercado – como palco de conchavos e articulações políticas e (ii) não apresentaram e submeteram à votação estudo de criação de uma entidade autônoma, uma SAF antes da Lei da SAF, realizado por uma das quatro maiores auditorias do planeta. A proposição, lamentavelmente, foi engavetada, por anos, pelo órgão que deveria tê-la encaminhado para o conselho deliberativo, com a conivência da diretoria.
Concluía-se, por fim, que a crise política, a situação financeira precária e a preponderância de interesses pessoais talvez indicassem “o fim de um grande time, que apenas terá um grande passado”.





