Como Antonelli está deixando Mercedes com cabelos brancos
Enquanto Kimi Antonelli sobreviveu a um toque no muro de Madring para conquistar mais uma vitória no GP da Espanha de Fórmula 1, a Mercedes parece ter desistido de controlar a intensidade juvenil do astro italiano.
Para o bem ou para o mal, parece não haver como frear Antonelli. Basta perguntar a Pete Bonnington, que assumiu o papel de professor em Madri ao ter que lembrar incessantemente ao italiano que prestasse atenção aos limites da pista.
Tendo se beneficiado de um safety car virtual no início da corrida, em um circuito onde ultrapassagens se mostraram impossíveis, tudo o que Antonelli precisava fazer era manter a corrida limpa até a linha de chegada, com Max Verstappen e Lando Norris resignados a segui-lo até o final.
Bonnington e a Mercedes já haviam passado por um susto no início da corrida com o que quase parecia um trote do jovem italiano.
Antonelli: “Dá uma olhada no carro!”
Bonnington: “Em qual curva?”
Antonelli: “Não, não bati em nenhum muro, mas a direção está estranha…”
Mas, faltando cinco voltas para o final, apesar da pouca pressão real vinda de trás, Antonelli acabou tocando em um dos muitos muros de concreto que margeiam o desafiador Madring. “Toquei no muro na entrada da curva 7”, exclamou Antonelli.
Apesar de estar no controle, foi mais uma corrida em que Antonelli esteve flertando perigosamente com os limites da pista, para grande consternação de seu pai, Marco, e do chefe de equipe, Toto Wolff. Simplesmente não há como fazer Antonelli diminuir o ritmo.
“Acabei de conversar sobre isso com o pai dele e estávamos brincando: ‘Que idiota!’. Não, esse é o Kimi mesmo”, disse o chefe da Mercedes após a corrida. “As linhas brancas… tivemos que martelar na cabeça dele que ele não deveria ultrapassar as linhas brancas. Mesmo em Monza, ele ainda ultrapassou as linhas brancas e [colocou em risco] o carro. E o mesmo vale para os limites da pista”.
“Em determinado momento, eu disse a ele: ‘Você não consegue enxergar para fora do carro? Precisamos te sentar tão alto assim para que você consiga [evitar] essas coisas de limites de pista?’ Nós demos risada disso”.
“E hoje, a seis voltas do final ou algo assim, ele diz: ‘Dá uma olhada no carro, acabei de encostar no muro’. O quê?! Ele está nos deixando com cabelos brancos. Mas talvez ele seja assim mesmo e talvez seja isso que o esteja tornando tão rápido”.
Wolff acrescentou: “Ele teve que bater no muro de novo porque quer ir rápido. Às vezes, pra mim, ele é um pouco tranquilo demais”.
Kimi Antonelli está dando alguns cabelos brancos a Toto Wolff
Foto de: Anni Graf – Fórmula 1 via Getty Images
A abordagem de Antonelli parece ser uma característica com a qual Wolff e a Mercedes terão que conviver por enquanto, pelo menos até que algo dê errado algum dia. Será que esse dia chegará quando Antonelli começar a pensar no troféu de 2026 enquanto corre a toda velocidade rumo ao seu primeiro título mundial?
Wolff está convencido de que isso não vai acontecer, apesar de Antonelli ser, de longe, o piloto mais jovem a já ter chegado a essa posição. “Garanto que ele não está pensando nisso”, insistiu Wolff. “A maneira como esse garoto consegue separar as coisas, ser um garoto jovem e, depois, entrar no carro e ser um piloto maduro…”
“Se Kimi disser a si mesmo: ‘Não estou pensando no campeonato’, então ele não está pensando no campeonato. Nós também estamos tentando, os pais e eu, e a equipe está dizendo: ‘Sabe, isso ainda não acabou'”.
“Existem eventos inesperados. Eles podem acontecer e você acaba perdendo algo que estava fora do seu controle, algo que nem imaginava que fosse possível perder. Então, ele não vai pensar nisso. Somos maduros demais para isso. Pensamos nos piores cenários possíveis. Ele não pensa nisso”.
Com base nas lições aprendidas em um ano de estreia conturbado em 2025, Antonelli sente que tem a rede de apoio certa ao seu redor para levá-lo até a linha de chegada, seja em Abu Dhabi ou em uma possível corrida em casa, em Ímola, perto de sua cidade natal, Bolonha.
Kimi Antonelli conta com uma forte rede de apoio no paddock
Foto: Sam Bloxham / LAT Images via Getty Images
“Tenho sorte de ter pessoas realmente boas ao meu redor”, explicou Antonelli. “Tenho uma equipe incrível que me apoia, uma família maravilhosa. Especialmente meu pai é quem me mantém com os pés no chão. Principalmente quando ele percebe que posso estar me desviando um pouco do caminho, ele não hesita em me repreender ou simplesmente me dizer para voltar à realidade”.
“Da minha parte, como já disse várias vezes, só tento dar o meu melhor em cada corrida, tentando realmente pilotar o mais rápido que posso sempre que entro no carro. E então veremos onde vamos chegar no final do ano. Mas, com certeza, não quero complicar demais as coisas nem pilotar preocupado com o campeonato ou com os resultados. Apenas pilotando, dando o meu melhor”.
Correr o mais rápido possível o tempo todo certamente está dando certo para Antonelli no momento. No que diz respeito à sua equipe, quase que em excesso.
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