Posco contesta no Brasil ação sobre dívida bilionária – 19/09/2026 – Painel
A siderúrgica sul-coreana Posco recorreu de decisão da Justiça brasileira que busca obrigá-la a arcar com uma dívida da subsidiária brasileira, a Posco E&C Brasil. Além disso, a empresa nega que haja uma dívida bilionária.
Como mostrou o Painel, a Posco Brasil construiu uma siderúrgica em Pecém, no Ceará, mas depois declarou falência e deixou para trás dívidas com fornecedores e com o Fisco. A Justiça cobrou o pagamento da dívida e, recentemente, incluiu a controladora como parte no processo.
O Itamaraty chegou a ser acionado e tentou uma solução junto à empresa coreana.
A siderúrgica, no entanto, alega que a jurisprudência dos tribunais estabelece que a mera insuficiência de bens da empresa brasileira para não pagar os credores não é suficiente para justificar a responsabilidade da controladora.
Além disso, diz que mesmo enquanto a subsidiária ficou sem operar, de 2017 a 2025, ela recebeu empréstimos mútuos da controladora no montante de R$ 1 bilhão. E nega que a empresa brasileira tenha transferido recursos para fora do país como estratégia para decretar falência.
Os credores da Posco Brasil dizem que a dívida da empresa brasileira é bilionária, mas a controladora coreana nega e afirma que a falência chega a R$ 650 milhões.
Além disso, diz que a maior parte se deve à reivindicação de um único credor, o advogado Frederico Campelo Costa, que pede o pagamento de R$ 551 milhões em honorários.
A empresa afirma que a demanda é desproporcional e abusiva e que isso também pode ser questionado perante a Justiça.
Em relação à dívida junto aos cofres públicos, de cerca de R$ 40 milhões, os documentos apresentados pela gigante sul-coreana apontam que o valor original da dívida pode ser pago com depósitos judiciais.
OUTRO LADO
Em nota, a Associação Internacional de Credores da Posco disse que o valor declarado no processo de falência não contempla todas as obrigações porque não levou em conta os valores ainda em disputa judicial
Em relação à dívida com o advogado Campelo, a entidade diz que o valor só chegou a esse patamar atualmente por causa de juros e correção monetária. Lembra ainda que a cifra foi reconhecida em duas arbitragens internacionais.
“O fato de Frederico Costa representar parcela relevante dos créditos não elimina a existência dos demais credores nem transforma uma falência com impactos sobre fornecedores, trabalhadores e poder público em uma disputa individual”, disse.
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