Bolsa reage às pesquisas eleitorais? Essa conversa não fecha
É possível acreditar que as pessoas físicas seriam mais suscetíveis a seguir uma estratégia de aplicação no mercado de ações mais sensível a opções e escolhas políticas pessoais. Mas, para os cinco milhões de pessoas físicas cadastradas na Bolsa, sobra uma parcela inferior a 20% do giro diário. Como se vê, sua capacidade de formar preços nos pregões e, portanto, puxar o Ibovespa é bastante limitada.
Quem “faz preço” na B3 e pode puxar o Ibovespa são profissionais. No caso dos estrangeiros, parece evidente que pesam muito mais nas escolhas as eventuais vantagens do “carry trade” — tomar dinheiro em mercados com juros mais baixos para aplicar onde os juros são mais altos e ações, em dólares, estão muito “descontadas” — ou seja, baratas. Depois de um período de retração em agosto, estrangeiros voltaram à Bolsa brasileira em setembro, injetando mais de R$ 10 bilhões, somando inversões no mercado à vista de ações, ofertas primárias e fluxos no mercado de derivativos.
Quanto aos profissionais, gestores de fundos de investimento ou de recursos de milionários, é preciso alguma dose de ingenuidade para acreditar que estes alocam recursos de clientes com base em avaliações políticas ou ideológicas.
Mais Petrobras do que pesquisas
É possível que eles aproveitem ondas, embarcando ou alimentando um efeito manada, mas quando agem assim se colocam na ponta da especulação mais aberta, o que é denunciado pelos movimentos de “realização de lucros” que rapidamente se seguem a altas sem boas explicações técnicas.
A composição do Ibovespa completa o quadro que dá suporte à descrença numa influência predominante de pesquisas eleitorais nos movimentos dos pregões. O índice é concentrado em ações de alguns setores da economia, como bancos e indústria extrativa mineral, que exportam commodities negociadas em mercados internacionais, em que se destacam a Petrobras e a Vale.





