Dólar Bolsa fechamento hoje 1 de setembro de 2026
Após semanas de postura defensiva e saídas pontuais de recursos, o investidor internacional voltou a ingressar no país para aproveitar o momento das ações locais, elevando a oferta da moeda americana no mercado doméstico e gerando uma pressão vendedora e garantindo o fortalecimento do real ao longo da sessão. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad
No exterior, alta do petróleo alimentou hoje aversão a risco. O contrato futuro do barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, com entrega para novembro fechou em alta de 4,6%, cotado a US$ 94,65, cerca de 30% acima dos preços praticados antes do conflito.
Índices acionários tiveram queda nas principais Bolsas da Ásia, Europa e Estados Unidos. O desempenho foi influenciado pela alta do petróleo, que manteve no cenário pressões de inflação que podem levar os bancos centrais pelo mundo a elevar juros — um ambiente que é prejudicial ao crescimento de vendas e de lucros das empresas que têm ações no mercado.
No ambiente doméstico, investidores reagiram aos dados do PIB, divulgados pelo IBGE hoje. A economia brasileira perdeu fôlego e cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os primeiros três meses deste ano. Com a variação, o PIB (Produto Interno Bruto) nacional acumula alta de 1,9% nos últimos quatro trimestres.
O PIB do segundo trimestre veio um pouco acima do que a gente imaginava, graças ao desempenho da agropecuária e da indústria extrativa. Já indústria de transformação sentiu o peso da taxa de juros. A combinação de estímulos do governo com desemprego baixo ainda favoreceu a área de serviços, permitindo que a economia que ainda crescesse. Nossa expectativa é que o efeito do agro diminua no terceiro trimestre e que o aperto monetário continue se espalhando pela economia, levando o PIB a ter no terceiro trimestre um ritmo menor, de 0,2%, compatível com um crescimento fechado no ano de 1,9%. Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV
Agentes de mercado ajustaram apostas nos juros a partir dos novos dados do PIB. Para analistas, o Banco Central pode reforçar a análise de que a política monetária já retirou parte relevante do excesso de demanda. Entretanto, ainda é necessário separar desaceleração saudável de controle efetivo da inflação. A taxa básica de juros da economia brasileira foi reduzida de 14,25% para 14% ao ano, na quarta redução seguida de 0,25 ponto percentual decidida pelo Copom (Comitê de Política Monetária).





