Flávio defende ajuste fiscal sem mexer na aposentadoria – 28/08/2026 – Economia
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (28) que, se eleito, irá fazer um ajuste fiscal sem mexer na Previdência Social ou na política de valorização do salário mínimo.
“Não precisa fazer economia em cima dos aposentados”, disse o presidenciável em entrevista à TV Globo. Ele defendeu um ajuste baseado em combate a fraudes na Previdência, corte de impostos, de cargos comissionados e de ministérios.
“Vou fazer um governo enxuto, reduzir a quantidade de ministérios, cortar a burocracia, tesouraço nos impostos”, disse ele, que se desviou das perguntas sobre qual seria o patamar da dívida pública em seu governo.
A dívida pública bruta do país como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) fechou maio em 81,1%, contra 80,2% no mês anterior.
A declaração ocorre em meio à divulgação de uma nova proposta de reforma da Previdência que lança a ideia de alterar completamente a arquitetura dos sistemas de aposentadorias e benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O texto será apresentado aos candidatos à Presidência.
Se adotada na íntegra, ao final deste século, a reformulação estabilizaria a despesa previdenciária na casa de 10% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo os autores. Hoje, o custo já equivale a 8% do PIB. Se nada for feito, chegará a 17% em 2100, afirmam.
“Feita de forma mais ampla, como propomos, não será preciso discutir novamente outras reformas tão cedo”, diz o coordenador do texto, o economista Paulo Tafner, uma referência no debate previdenciário desde a década de 1990 e que fez várias contribuições para a reforma anterior.
“A Previdência como está não para de pé”, afirmou Tafner.
Outro ponto que impacta a Previdência é a política de valorização do salário mínimo. Hoje, a fórmula de correção inclui reajuste pela inflação de 12 meses até novembro do ano anterior mais a variação do PIB de dois anos antes.
O salário mínimo é baliza para uma série de despesas obrigatórias do Poder Executivo, como aposentadorias do INSS e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Sua correção interfere diretamente em algumas das despesas mais relevantes do Orçamento Federal.
Flávio negou mudanças nesse sentido. “Não farei economia com quem ganha salário mínimo”, disse no Jornal Nacional, sem especificar se mudaria a regra de correção.
Na entrevista, Flávio também criticou a taxa de juros —atualmente em 14% ao ano— e disse que “se o Brasil não tiver um ajuste fiscal forte, está fadado à falência de todo mundo”. Ele responsabilizou o governo Lula (PT) pelo endividamento das famílias brasileiras, citando o aumento dos gastos públicos.
Flávio acrescentou que uma vitória sua nas urnas aumentaria a confiança na economia brasileira e levaria a uma queda de juros na primeira reunião do Banco Central após sua posse.
Medidas para lidar com a inadimplência já haviam sido abordadas pela assessora econômica de Flávio, Daniella Marques, em entrevista à Folha. Ela afirmou que, se eleito, ele fará um programa de renegociação de dívidas para mais de 100 milhões de brasileiros, mas rejeitou a comparação com o Desenrola, do governo Lula.
Também disse que o candidato se comprometeu a propor uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para reunir representantes dos três Poderes em um conselho para autocontenção de gastos.
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal foi a primeira entrevistada da temporada especial do C-Level Entrevista, videocast semanal da Folha sobre economia.
PIX E TARIFAÇO
Flávio também foi questionado sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. O presidenciável disse que “Lula procurou muito essa sobretaxa” ao atacar o governo americano. Em julho, o governo de Donald Trump impôs duas levas de tarifas sobre produtos brasileiros.
As tarifas mais altas, de 25%, foram adotadas após uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais pela gestão Trump. O processo foi iniciado em julho de 2025 como uma das medidas anunciadas pelo republicano em reação ao que ele classificou como uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação americana mirou vários temas, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol e o Pix –empresas americanas de cartão de crédito alegam que o BC concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.
Questionado sobre levar o Pix à mesa de negociações com os EUA se for eleito, Flávio respondeu que a ferramenta é inegociável. “O Pix é sagrado, foi feito na gestão do presidente [Jair] Bolsonaro, e não tem taxa porque o presidente exigiu que não tivesse”, afirmou.





