Senadora paraguaia reage, cobra desculpa de Mbappé e vê violência de gênero
Leia a carta de Celeste Amarilla na íntegra
O problema é entre você e eu. Nunca falei nada da França, o meu problema é com você. Estudei em um colégio francês dos 2 aos 17 anos, até concluir minha formação no ensino médio. Sou o que sou graças ao Colégio de L’Immaculée Conception e estou onde estou graças à formação que me deu. Cantávamos a Marselhesa e homenageávamos a bandeira junto com a nossa, falo francês e fui visitar a França. No último Natal estive com minha família em Courchevel e passamos o Ano-Novo em Saint-Tropez. Nada contra a França, o problema é com você.
Fiquei muito irritada com a sua arrogância e desprezo desde antes da partida, quando você disse: “Se tiver que enfiar as mãos na merda, vamos enfiar”, não somos estúpidos, entendemos perfeitamente que a “merda” era a equipe paraguaia e o time paraguaio como um todo. Depois você disse que pisaria em um saco de cocô, também entendemos bem. Vocês são elegantes, usam smoking e nós somos pobres e brutos, como se não soubéssemos o que isso significa. Todo o Paraguai ficou em silêncio, inclusive eu. Aguentamos.
Durante a partida, você teve uma conduta arrogante. Percebia-se o seu desprezo por cada jogador, como se estivessem fazendo algo ruim apenas por participar da partida. Você disse “a concha da sua mãe”, uma frase extremamente agressiva na América Latina, e você sabe disso, por isso a disse.
E, por último, você desprezou o cumprimento do nosso goleiro. Isso não se faz. O cumprimento entre rivais de guerra é o gesto mais nobre, na derrota e na vitória, e você negou a mão a ele e gritou a vitória na cara dele. Isso não se faz. Você demonstrou seu desprezo, sua arrogância e sua má educação em um segundo. Meu país ficou muito magoado, e eu também. A França deveria repreendê-lo, porque é um país de cavalheiros, com séculos de história e de “savoir-faire”. A França deveria reprovar a sua conduta.
Minhas postagens foram feitas de cabeça quente, com esse sangue mestiço, essa mistura de sangue indígena com sangue espanhol que corre nas minhas veias. Eu estava fervendo e escrevi as postagens quando zombavam desses grandes jogadores paraguaios que lutaram de igual para igual até o fim da partida e foi assim. No entanto, depois me arrependi de tê-lo maltratado com os mesmos insultos que recebo, porque também desprezo ser chamada de morena e latina; dizem “sudaca”. Arrependi-me e apaguei as postagens. Percebi que estava repetindo padrões que odeio e os apaguei. Entendo que isso tenha incomodado, porque é humilhante.
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