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Pressionado por Câmara, Ocon desabafa sobre situação da Haas


Esteban Ocon está diante de um impasse sobre seu futuro na Haas e na Fórmula 1. Enquanto a equipe americana já testa vários candidatos, incluindo o brasileiro Rafael Câmara, o francês luta para manter seu lugar também em 2027. O piloto de 29 anos vê sua situação de forma bem menos crítica do que os resultados até agora levariam a supor.

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Ocon teve poucas oportunidades na temporada atual para explorar ao máximo o potencial de seu VF-26. Após um forte início de temporada, a equipe ficou para trás na corrida das atualizações. Mesmo assim, a situação para Esteban fica ainda mais delicada.

A Haas está buscando alternativas para a vaga do francês, com Câmara, Leonardo Fornaroli, Ryo Hirakawa e, agora, Jack Doohan, piloto reserva da equipe desde o início da temporada, na disputa pelo assento da equipe americana,

Conforme revelado pelo Motorsport.com Itália, o australiano ex-Alpine fará um teste TPC em Jerez após a etapa de Madri. Essa participação pode servir para que o australiano se candidate à segunda vaga na Haas para 2027.

Ocon está ciente disso — e, mesmo assim, mantém-se calmo. “Estou sempre motivado”, explica Ocon quando questionado sobre os rumores em torno de outros pilotos. A Haas tem todo o direito de testar outros pilotos. Afinal, o programa TPC também é um negócio para a equipe e gera receitas adicionais.

Ao mesmo tempo, o francês deixa bem claro como avalia a situação: “Como a equipe sabe e como Ayao [Komatsu, chefe da Haas] deixou bem claro, os pilotos não são o problema no momento”.

Esteban Ocon, Haas F1 Team

Esteban Ocon, Haas F1 Team

Foto de: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images

As dificuldades não se devem ao fato de que ele ou Bearman não consigam explorar o potencial da Haas. Pelo contrário, a equipe ainda não encontrou uma explicação para o fato de o carro funcionar de maneira completamente diferente, mesmo com componentes, em alguns casos, idênticos.

“Quando tivermos o carro que funciona, vamos ter um bom desempenho e tirar o máximo proveito dele”, diz Ocon. O problema é a falta de consistência. Para o francês, isso é particularmente frustrante, pois, por causa disso, os resultados não refletem de forma justa seu próprio desempenho.

Ocon cita um exemplo de Spa. Lá, seu carro tinha inicialmente um bom equilíbrio. Após uma troca do motor, o carro ficou de repente completamente diferente — embora a caixa de câmbio e outros componentes tivessem permanecido os mesmos. “Faço a primeira volta e o carro está completamente diferente”, relata ele.

A equipe tentou então corrigir a situação com ajustes na configuração. No entanto, os problemas persistiram: instabilidade extrema e falta de aderência na traseira. Segundo Ocon, a análise da Haas acabou revelando que faltavam cerca de 10 pontos de downforce na parte de trás do monoposto.

“10 pontos são muitos quilos de downforce”, explicou o francês. Justamente nos carros atuais, tal diferença não pode ser simplesmente compensada pela configuração.

Na classificação, com um carro assim, ainda é possível completar pelo menos uma volta. Na corrida, por outro lado, a situação se torna um “pesadelo”, pois o desgaste dos pneus é significativamente maior e isso pode até exigir uma parada adicional nos boxes.

Esteban Ocon, Haas F1 Team

Esteban Ocon, Haas F1 Team

Foto de: Alastair Staley / LAT Images via Getty Images

Segundo Ocon, os problemas não se resumem a uma mera diferença entre duas peças mal ou bem fabricadas. Em alguns casos, o comportamento do carro muda, embora, em princípio, sejam utilizados os mesmos componentes.

A complexidade técnica, ao mesmo tempo, torna complicado comparar Ocon e Bearman de forma justa. O chefe de equipe já havia admitido que a inconsistência do VF-26 dificulta a avaliação dos dois pilotos.

No papel, porém, a situação para Ocon não parece muito boa. Nos qualis, Bearman o venceu com muito mais frequência até agora, e também na pontuação o britânico está à frente. Além disso, na primeira metade da temporada, a Haas não conseguiu, de modo geral, dar continuidade ao forte início de temporada.

Por isso, Ocon destaca as corridas em que seu carro realmente funcionou bem. “Sei que faço um bom trabalho quando recebo um carro que funciona normalmente”, afirma. A equipe, seus engenheiros e também Komatsu sabem que ele é capaz de ter um bom desempenho nessas condições.

Como exemplos, Ocon cita Suzuka, Silverstone e Budapeste. Essas três provas foram as únicas corridas em que seu carro funcionou este ano em um nível que ele considera normal. “Estou satisfeito com meu desempenho”, enfatiza ele. “Mas, é claro, precisamos melhorar no que diz respeito ao carro”.

O fato de a Haas, mesmo assim, estar testando outros pilotos aumenta a pressão sobre Ocon. Para ele, isso significa que sua vaga não está, de forma alguma, garantida automaticamente.

Ao mesmo tempo, o francês não acredita que uma troca de piloto resolveria os problemas atuais da equipe. É exatamente por isso que ele considera os testes compreensíveis, mas os acha surpreendentes com vistas a 2027. “Se esses testes forem pensados para o ano que vem, isso seria surpreendente”, diz Ocon.

Ayao Komatsu, Haas F1 Team

Ayao Komatsu, Haas F1 Team

Foto de: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images

Enquanto isso, Komatsu confirmou que a Haas não pretende simplesmente ignorar a fraca performance atual e se concentrar exclusivamente em 2027. A equipe precisa, antes de tudo, compreender e resolver os problemas fundamentais do VF-26.

“Precisamos provar que somos capazes de identificar os problemas cruciais, resolvê-los e, em seguida, implementá-las no carro”, explicou Komatsu. Simplesmente mudar o foco para o próximo regulamento seria, para ele, o caminho errado. Pois, caso contrário, os problemas não resolvidos seriam apenas transferidos para a próxima temporada.

Komatsu considera que a Haas está, em princípio, bem posicionada. Nos últimos dois anos, a equipe provou que é capaz de desenvolver um carro. O início de temporada excepcionalmente forte em 2026 também demonstrou o potencial existente.

Depois disso, porém, a Haas teve que se render na corrida de desenvolvimento contra a concorrência. Agora, o importante é aprender com os erros.

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