A bandeira, o treinador egípcio e a seletividade da indignação
O Egito compartilha uma fronteira direta com a Faixa de Gaza por meio da passagem de Rafah. Durante muitos anos, essa fronteira permaneceu sob rígido controle por razões de segurança nacional, limitando a circulação de pessoas e mercadorias em diferentes momentos. Ainda assim, a narrativa internacional costuma concentrar quase toda a responsabilidade sobre Israel, enquanto o papel desempenhado pelos demais atores regionais recebe muito menos atenção.
É relativamente simples levantar uma bandeira diante das câmeras. Muito mais difícil é assumir responsabilidades concretas quando elas envolvem riscos políticos, diplomáticos e de segurança.
Mas talvez exista uma reflexão ainda mais importante.
O esporte sempre foi apresentado como um território de paz, de encontro entre povos e de superação das diferenças. A história, porém, mostra que ele nunca esteve completamente protegido das tensões políticas.
Em 1972, durante os Jogos Olímpicos de Munique, o mundo assistiu, horrorizado, ao assassinato de onze atletas e dirigentes israelenses pelo grupo terrorista Setembro Negro. O maior evento esportivo do planeta foi transformado em palco para um dos mais marcantes atentados da história. Aquele episódio demonstrou que o ódio pode invadir até mesmo os espaços criados para celebrar a convivência entre as nações.
Mais de cinco décadas depois, continuamos vendo grandes competições esportivas servindo de palco para manifestações relacionadas ao Oriente Médio. Evidentemente, não se pode comparar um gesto simbólico com um atentado terrorista. São acontecimentos de natureza completamente diferente. Mas ambos demonstram que Israel continua ocupando um lugar singular no imaginário político internacional, transformando o esporte, repetidas vezes, em palco de debates geopolíticos.
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