McLaren admite frustração com asa ‘macarena’ da Ferrari
Neil Houldey, diretor técnico da McLaren na Fórmula 1, admitiu que a equipe ficou “decepcionada” por não ter adotado o conceito de asa traseira ‘macarena’ tão rapidamente quanto a pioneira Ferrari, enquanto continua desenvolvendo sua própria versão para ser adotada após a pausa de agosto.
A inovação vem em todas as formas e tamanhos, à medida que as equipes de F1 mergulham de cabeça em um novo regulamento para 2026.
Algumas interpretações de design são mais visíveis do que outras, por isso, quando a Ferrari estreou a tal inovação nos testes no Bahrein — que girava 180 graus entre o Modo Curva e o Modo Reta —, ela capturou a atenção não apenas dos fãs, mas também dos projetistas rivais, que tiveram que voltar à prancheta para descobrir se haviam ou não deixado passar um truque para reduzir o arrasto em retas.
Desde então, a Red Bull estreou sua própria versão, mas que segue um conceito diferente, e teve que revisá-la após dois incidentes envolvendo Max Verstappen na Áustria e em Silverstone.
A McLaren foi a próxima, mas também precisou fazer muitos ajustes para que o projeto funcionasse como pretendido. Um teste planejado durante os treinos na Áustria teve que ser abandonado depois que a equipe descobriu problemas na garagem.
Após mais desenvolvimentos, ela testou a asa traseira com bons resultados na Hungria como item experimental, esperando estrear o projeto após o recesso.
O diretor técnico da McLaren disse que a equipe de Woking percebeu que havia deixado algo a desejar assim que viu a Ferrari testar o projeto nos testes de pré-temporada.
A asa giratória da McLaren utiliza um mecanismo de três articulações
Foto: Marcel van Dorst / EYE4images / NurPhoto via Getty Images
“Ficamos desapontados por não termos percebido isso tão rapidamente quanto a Ferrari e, depois, a Red Bull”, disse Houldey quando questionado pelo Motorsport.com sobre a reação inicial da equipe ao design inovador da Ferrari. “Assim que vimos isso, percebemos que havia uma oportunidade ali e analisamos a questão por um tempo.
“Mas há todas essas grandes melhorias de desempenho disponíveis para a asa, então esse não era nosso projeto principal, e estávamos trabalhando nisso em segundo plano. Fizemos testes em laboratório, levamos para o TL1 na Áustria e descobrimos um problema com ela na garagem, então a levamos de volta para a fábrica”.
“Acreditamos ter encontrado agora um conceito que funciona e criamos uma solução confiável. Compreendemos alguns dos riscos aerodinâmicos envolvidos nisso”.
As duas rodadas de Verstappen na Áustria e em Silverstone, provocadas pelo fato de a primeira versão da asa traseira da Red Bull não fechar tão rapidamente quanto o esperado — o que, por sua vez, levou a um atraso na geração dos níveis esperados de downforce —, reforçaram ainda mais que o conceito de asa traseira ‘macarena’ não é fácil de acertar e envolve riscos que precisam ser devidamente compreendidos.
“O fato é que o tempo de ativação pode ser um pouco mais longo, e que leva um pouco mais de tempo para a carga aerodinâmica retornar quando você reativa”, explicou Houldey, ao confirmar que o projeto ainda está a caminho de ser implementado no carro de corrida em um futuro próximo.
A McLaren, em particular, busca uma melhor eficiência aerodinâmica, para a qual a asa traseira poderia contribuir.
“Analisamos isso enquanto desenvolvíamos asas traseiras com foco no desempenho, de maneira geral”, disse Houldey. “Agora estamos tentando encontrar uma maneira de introduzir esse conceito em nossa nova geração de asas traseiras, o que deve acontecer nas próximas corridas”.
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