Jorge, o Cubano, se tornou referência no tênis brasileiro – 05/08/2026 – Cotidiano
Nos anos 1990, quando uma geração de treinadores começou a deixar Cuba para levar ao exterior o método esportivo que ajudou a transformar a ilha em uma potência olímpica, o Brasil recebeu profissionais que marcariam diferentes modalidades. Um deles foi Jorge Ordaz, técnico de tênis que ajudou a formar gerações de atletas e professores em Goiás.
Conhecido como Jorge Cubano, ele vivia no estado havia cerca de 30 anos. Chegou ao país em um período no qual clubes e entidades esportivas buscavam treinadores formados na escola caribenha, reconhecida pelo rigor técnico e pela capacidade de desenvolver atletas.
O profissional, porém, ia além da excelência técnica. Amigos o descrevem como um treinador exigente e, ao mesmo tempo, doce e acolhedor. Buscava o sucesso do atleta, com títulos, claro. Mas seu principal interesse era o sucesso do ser humano. Cobrava desempenho, sem abrir mão da educação e do desenvolvimento intelectual. Dava broncas quando necessário, mas também distribuía abraços.
Foi no Country Clube de Goiás que encontrou um lar. À frente das equipes de competição, construiu uma carreira que o transformou em uma das principais referências do tênis no estado e em um dos treinadores mais respeitados da modalidade na região Centro-Oeste.
Ao longo de mais de três décadas, treinou alguns dos principais atletas goianos e participou da formação de sucessivas gerações. Seu legado, porém, extrapolou as quadras. Entre colegas e ex-alunos, ganhou a alcunha de professor de professores” por ter orientado muitos dos técnicos que hoje trabalham em diferentes estados.
Era esse legado que fazia de Jorge uma celebridade no circuito do tênis. Onde chegava, era recebido por gritos de mestre e por agradecimentos de ex-alunos e colegas. Retribuía as demonstrações de carinho com um largo sorriso, sempre disposto a conversar, aconselhar ou relembrar histórias das quadras.
Apesar de tantos serviços, jamais cogitou a aposentadoria. Bastava alguém tocar no assunto para que a expressão mudasse. Já septuagenário, mantinha uma rotina intensa. Dava aulas diariamente, acompanhava pupilos em competições e seguia planejando novos projetos para o esporte.
Em 23 de junho, Jorge Ordaz passou mal e procurou atendimento médico. Exames identificaram leucemia, e ele foi internado. Durante os cinco dias em que permaneceu no hospital, amigos, alunos e ex-alunos organizaram uma rede de apoio. Revezavam-se em visitas, acompanhavam a evolução do quadro e enviavam mensagens de incentivo.
O treinador morreu cinco dias depois, aos 72 anos. O corpo foi cremado em Goiânia, e as cinzas, levadas para Cuba.





