Acusado de matar aluno de medicina tem prisão decretada – 31/07/2026 – Cotidiano
A Justiça determinou nesta sexta-feira (31) a prisão preventiva, sem prazo para soltura, do policial militar Bruno Carvalho do Prado, um dos réus acusados pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, em novembro de 2024, após uma abordagem em um hotel na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo.
O agente estava com o PM Bruno Carvalho do Prado, que atirou no estudante. Os dois são réus na ação e irão a júri popular.
A prisão foi decretada pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri.
Ela afirma que o assistente de acusação noticiou fatos novos de que o policial Prado, no curso da ação penal e enquanto submetido às medidas cautelares fixadas pela Justiça, teria se envolvido em uma ocorrência de ameaça e lesão corporal contra a sua mulher, no contexto de violência doméstica e familiar, que está em apuração.
“Com efeito, o crime narrado na denúncia é considerado de extrema gravidade, de sorte que a custódia é imprescindível para o resguardo da ordem pública”, escreve na decisão.
Por mensagem, o advogado João Carlos Campanini, que defende os dois policiais militares, cita tentativa de vingança da assistência de acusação e diz que irá impetrar habeas corpus para restabelecer a liberdade de Prado.
“Eis que a vida pessoal do acusado não se confunde com a ocorrência, que foi em serviço policial militar”, diz.
Ele afirma que ainda precisa apurar como advogados tiveram acesso ao processo sobre violência doméstica em que o policial matar está envolvido, uma vez que esses processos seguem em segredo de Justiça. O defensor não informou se seu cliente já foi preso.
Na sua decisão desta sexta-feira, a magistrada ainda lembra que o estudante foi lesionado e alvejado por disparos de arma de fogo em contexto de intervenção policial.
“E sobreveio informação de práticas delitivas do corréu Bruno contra sua própria esposa, fatores que revelam a inegável reprovabilidade da conduta, periculosidade social do agente e o risco gerado por seu estado atual de liberdade”, escreve.
“A garantia da ordem pública como motivo da prisão preventiva envolve em linhas gerais o objetivo de impedir a reiteração das práticas criminosas e o propósito de assegurar a credibilidade das instituições públicas, em especial o Poder Judiciário”, diz a juíza.
Relembre o caso
O estudante e os dois policiais se cruzaram na madrugada de 20 de novembro de 2024. Ele caminhava pela avenida Conselheiro Rodrigues Alves em direção à hospedaria onde estava uma jovem com quem mantinha relacionamento.
Macedo e Prado, que estavam em uma viatura, pararam Marco Aurélio, que deu um tapa no retrovisor. Macedo, então, desceu e passou a persegui-lo. O estudante correu para o hotel. Lá, encurralado em um portão, levou um tiro na barriga disparado pelo soldado.
Marco Aurélio foi levado para o Hospital Ipiranga, na zona sul, a cerca de 6 quilômetros de distância, mesmo tendo sido baleado em uma rua com uma unidade médica e diversas outras nas proximidades. O Hospital Ipiranga, conforme relatos posteriores, não tinha recursos para receber o estudante naquele momento. A emergência estava superlotada e o aparelho de tomografia, inoperante.





